A eleição para presidente, governadores, senadores e deputados será realizada no dia 4 de outubro, em primeiro turno, e no dia 25 de outubro, em eventual segundo turno. A expectativa do eleitorado é alta, impulsionada pelo cenário de polarização nacional. Na Bahia, esse ambiente também provoca apreensão, especialmente dentro da base governista, diante da demora na definição do candidato a vice do governador Jerônimo Rodrigues.

Em 2022, o nome escolhido para compor a chapa foi o então ex-presidente da Câmara de Vereadores de Salvador, Geraldo Júnior, filiado ao MDB. A composição aglutinou forças políticas historicamente distantes, recolocando o grupo ligado a Geddel Vieira Lima ao lado do PT no estado. Tratava-se de uma chapa ainda pouco conhecida pelo eleitorado, resultado de uma escolha tardia e de um nome com base eleitoral concentrada na capital, lançado em uma disputa estadual.

O marketing de campanha teve papel decisivo naquele momento. O jingle “Jerônimo e Geraldinho” ganhou força e ajudou a popularizar a chapa. O resultado foi uma ascensão significativa: o grupo saiu de um cenário inicial adverso para conquistar a vitória com folga no segundo turno, contrariando projeções que indicavam dificuldade até mesmo para avançar à fase final da disputa.

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Após a eleição, Geraldo Júnior adotou um perfil discreto, mantendo alinhamento com o governador e atuando de forma institucional. Em 2024, tentou se eleger prefeito de Salvador, mas não obteve êxito. Na capital, enfrentou resistência de setores mais tradicionais da esquerda, o que evidenciou divergências internas. Ainda assim, permaneceu como aliado do governo.

O cenário começou a mudar neste ano, com o avanço de especulações sobre a possibilidade de substituição do vice na chapa de reeleição. Nos bastidores, a influência do ex-governador Rui Costa passou a ser apontada como um dos fatores de pressão por mudanças.

A tensão aumentou após um episódio envolvendo Geraldo Júnior, que compartilhou, por engano, um link com críticas a Rui Costa em um grupo de mensagens, acompanhado da frase “Vamos viralizar”. Apesar de ter apagado rapidamente e alegado equívoco, o conteúdo repercutiu e gerou desgaste na relação política.

Diante desse contexto, aliados avaliam que a condução do processo revela falhas de articulação. O grupo político que governa a Bahia há quase duas décadas reúne lideranças de peso, como Jaques Wagner, Rui Costa e o próprio Jerônimo. A convivência entre diferentes centros de influência exige alinhamento constante, o que nem sempre ocorre sem ruídos. Após manifestações públicas, os principais nomes passaram a defender que a decisão final sobre a chapa cabe exclusivamente ao atual governador.

Outro ponto observado por interlocutores é a condução da articulação política com prefeitos. Essa função foi delegada ao secretário de Relações Institucionais, Adolpho Loyola. Embora a descentralização seja comum na gestão, há avaliações de que o processo gerou desgastes com lideranças municipais.

Um dos casos mais emblemáticos é o do prefeito de Jequié, Zé Cocá. Inicialmente apontado como aliado do governo estadual, ele acabou rompendo politicamente após divergências na condução das articulações e passou a integrar o campo oposicionista, sendo indicado como pré-candidato a vice em uma chapa adversária.

Nos bastidores, a avaliação é de que os ruídos podem ser superados, mas exigirão esforço político e concessões. A definição da chapa, nesse cenário, torna-se um fator estratégico não apenas para a organização da campanha, mas também para a manutenção da unidade da base.

Enquanto isso, Geraldo Júnior mantém postura discreta e evita tensionar publicamente o debate, aguardando a decisão do governador. A indefinição, no entanto, mantém o ambiente político em aberto e reforça a pressão sobre Jerônimo Rodrigues em um momento decisivo para a construção de sua candidatura à reeleição.

FONTE/CRÉDITOS: Rafael Gomes