Espaço para comunicar erros nesta postagem
Adicione nosso site às suas fontes preferidas para acompanhar nossas notícias. 📰
A virada de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026 pode ser compreendida também a partir dos números registrados nas urnas. Entre o primeiro e o segundo turno, houve aumento do comparecimento, redução das abstenções, queda nos votos brancos e nulos e a concentração, entre os dois finalistas, dos votos que no primeiro turno estavam distribuídos entre outras candidaturas.
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro terminou na primeira colocação, com 56.104.503 votos, enquanto Lula recebeu 53.879.538. A diferença inicial era de 2.224.965 votos a favor do candidato do PL. As demais candidaturas somaram 9.316.747 votos válidos.
No segundo turno, realizado em 25 de outubro, Lula passou para 64.256.232 votos e Flávio Bolsonaro chegou a 59.826.041. O presidente reeleito, portanto, acrescentou 10.376.694 votos à sua votação, enquanto Flávio teve crescimento de 3.721.538 votos. A vantagem que era de 2,22 milhões para o candidato do PL no primeiro turno terminou em 4.430.191 votos para Lula.
A participação do eleitorado também mudou. No primeiro turno, 33.469.244 eleitores não compareceram às urnas, o equivalente a 21,08% do eleitorado. No segundo, a abstenção caiu para 30.509.005 pessoas, ou 19,22%. Foram, portanto, 2.960.239 eleitores a mais participando da votação. A taxa registrada no segundo turno foi a menor para uma eleição presidencial em 20 anos.
Outro fator importante foi a redução dos votos brancos e nulos. Os votos em branco passaram de 2.300.798 para 1.430.496, uma queda de 870.302. Já os votos nulos diminuíram de 3.674.249 para 2.723.305, redução de 950.944. Somados, brancos e nulos foram 1.821.246 votos a menos no segundo turno.
Com mais eleitores comparecendo e menos votos brancos e nulos, o número de votos válidos também aumentou. Foram 119.300.788 votos válidos no primeiro turno e 124.082.273 no segundo, crescimento de 4.781.485 votos válidos.
É justamente nesse ponto que aparece a conta que circulou nas redes sociais. Lula e Flávio, juntos, receberam 14.098.232 votos a mais no segundo turno. Esse crescimento pode ser relacionado matematicamente a três movimentos: os 2.960.239 eleitores que passaram a comparecer às urnas, os 9.316.747 votos que no primeiro turno estavam nas candidaturas eliminadas e a redução de 1.821.246 votos brancos e nulos.
A conta fecha: 2.960.239 + 9.316.747 + 1.821.246 = 14.098.232.
Isso, porém, não significa que os 9,3 milhões de votos dos candidatos eliminados tenham sido integralmente transferidos para Lula ou Flávio, nem que os eleitores que deixaram de votar no primeiro turno tenham necessariamente escolhido um dos dois no segundo. Os dados oficiais mostram a movimentação agregada das urnas, mas não permitem acompanhar individualmente a escolha de cada eleitor entre uma etapa e outra.
Na prática, a diferença de 10,37 milhões de votos conquistados por Lula e os 3,72 milhões acrescentados por Flávio mostra que o eleitorado que chegou ao segundo turno não se comportou de maneira uniforme. Parte dos votos que estavam com outras candidaturas foi incorporada à disputa entre os dois finalistas, enquanto uma parcela dos eleitores que não havia comparecido no primeiro turno também participou da decisão. Ao mesmo tempo, houve eleitores que mudaram de candidato, votaram em branco, anularam o voto ou deixaram novamente de comparecer.
Jequié
Em Jequié, o movimento foi semelhante no comparecimento, mas com uma diferença ainda mais expressiva na disputa entre os candidatos. No primeiro turno, Lula recebeu 53.993 votos, contra 31.824 de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, o petista passou para 62.460 votos, enquanto o candidato do PL chegou a 33.829.
Lula, portanto, acrescentou 8.467 votos à sua votação em Jequié entre os dois turnos, enquanto Flávio aumentou sua votação em 2.005 votos. A diferença entre os dois, que era de 22.169 votos no primeiro turno, chegou a 28.631 no segundo.
A participação dos eleitores também cresceu no município. O comparecimento passou de 97.318 para 100.029 eleitores, enquanto a abstenção caiu de 21.722 para 18.992 pessoas. A taxa de abstenção recuou de 18,25% para 15,96%. Os votos brancos passaram de 1.774 para 1.048, e os nulos, de 3.819 para 2.692.
Os números de Jequié reforçam, portanto, o cenário observado em todo o país: o segundo turno contou com maior participação dos eleitores e menor quantidade de votos brancos e nulos. A diferença é que, no município, Lula já havia terminado o primeiro turno à frente de Flávio Bolsonaro e ampliou essa vantagem na segunda votação.
No cenário nacional, a combinação desses fatores — maior comparecimento, redução de brancos e nulos e redistribuição dos votos que estavam nas demais candidaturas — alterou completamente o resultado da disputa. Flávio Bolsonaro entrou no segundo turno com uma vantagem de mais de 2,2 milhões de votos e terminou a eleição com uma desvantagem superior a 4,4 milhões. Lula, que havia ficado em segundo lugar no primeiro turno, conseguiu reverter o resultado e foi reeleito presidente da República.
Nossas notícias
no celular
95 FM