Novos áudios e mensagens extraídos do celular do empresário Daniel Vorcaro revelaram detalhes de um encontro reservado entre o então dono do Banco Master e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. Após a divulgação do material, Mendonça confirmou que recebeu o banqueiro uma única vez, em março de 2025, mas afirmou que se limitou a ouvi-lo e que sua atuação sempre foi pautada pela legalidade e pela impessoalidade.

O encontro ocorreu no dia 14 de março de 2025, no Instituto ITER, instituição de ensino fundada por Mendonça em São Paulo. Mensagens analisadas indicam que a reunião foi articulada pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP).

De acordo com os registros, Vorcaro chegou ao endereço, localizado na Alameda Santos, por volta das 17h. Conversas com o motorista indicam que o empresário deixou o local às 18h40. A permanência no endereço, portanto, teria durado cerca de duas horas, embora Mendonça tenha informado que a conversa direta com o banqueiro teria se estendido por aproximadamente 20 a 30 minutos.

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Áudios indicam articulação para encontro

As mensagens reveladas mostram que a aproximação entre Vorcaro e Mendonça vinha sendo discutida semanas antes da reunião.

Em fevereiro de 2025, o advogado Ciro Rocha Soares informou a Vorcaro que estava em contato com o ministro e trabalhava para viabilizar uma reunião. Em um dos áudios recuperados, o advogado afirmou que Mendonça tinha conhecimento da situação envolvendo o empresário e o Banco Central.

Segundo o conteúdo divulgado, Ciro afirmou a Vorcaro que André Mendonça desejava recebê-lo acompanhado do advogado e que já havia sido informado sobre a situação enfrentada pelo Banco Master.

Uma primeira tentativa de reunião chegou a ser articulada para fevereiro, em Brasília, mas o encontro acabou sendo remarcado. Posteriormente, o deputado Cezinha de Madureira enviou a Vorcaro o endereço e o horário da reunião em São Paulo.

No dia do encontro, Vorcaro avisou que estava a caminho. Poucos minutos depois, recebeu a resposta de que o ministro já o aguardava.

Mendonça diz que encontro tratou de precatórios

Em nota, o gabinete de André Mendonça confirmou que o ministro recebeu Daniel Vorcaro uma única vez, em março de 2025.

Segundo a versão apresentada pelo magistrado, o encontro tratou exclusivamente da Suspensão de Tutela Provisória 976, processo relacionado a créditos de precatórios decorrentes de prejuízos envolvendo a Agroindustrial Tabu, empresa do setor sucroalcooleiro.

A defesa de Mendonça sustenta que o processo possuía interesse para o Banco Master, mas não estava sob decisão do ministro no momento da reunião.

O gabinete também informou que Mendonça recebeu, naquele mesmo período, o advogado ligado a Vorcaro para discutir o mesmo processo e afirmou que os memoriais apresentados foram preservados.

Sobre o encontro com o banqueiro, Mendonça declarou que apenas o ouviu e que sua atuação posterior em processos relacionados ao tema não favoreceu os interesses defendidos pelo empresário.

Caso ocorre em meio à crise envolvendo Alexandre de Moraes

A revelação sobre o encontro entre Vorcaro e Mendonça ocorre em meio a uma crise ainda maior envolvendo mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do empresário.

Documentos e registros divulgados nos últimos dias apontam contatos entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, também integrante do Supremo Tribunal Federal.

Segundo informações reveladas a partir da análise do material apreendido pela Polícia Federal, Vorcaro teria procurado Moraes em diversas ocasiões durante o período em que o Banco Master enfrentava uma crise e era alvo de investigações.

As mensagens indicam que o banqueiro buscava informações sobre possíveis medidas contra ele e demonstrava preocupação com a possibilidade de operações policiais e decisões que poderiam atingir o banco.

Em uma das conversas atribuídas a Vorcaro, o empresário chegou a perguntar se deveria deixar o país diante do avanço das investigações.

A Polícia Federal analisa se os contatos podem indicar tentativa de influência ou obtenção de informações privilegiadas sobre investigações em andamento. As mensagens, no entanto, são objeto de controvérsia jurídica e ainda dependem de aprofundamento das apurações e de eventual manifestação formal das autoridades envolvidas.

Caso deve ser analisado pelo STF

Diante das novas informações apresentadas pela Polícia Federal, André Mendonça determinou o levantamento do sigilo de parte do material relacionado ao caso e defendeu que os elementos envolvendo autoridades com prerrogativa de foro sejam analisados pelo plenário do Supremo Tribunal Federal.

A iniciativa abriu uma nova discussão dentro da Corte.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, questionou a forma como o aprofundamento das investigações envolvendo ministros do STF foi conduzido e defendeu a anulação de parte da apuração realizada pela Polícia Federal, sob o argumento de que medidas desse tipo deveriam passar previamente pelo colegiado.

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, deverá definir os próximos passos e uma eventual inclusão do caso na pauta do plenário.

A situação amplia a pressão sobre o Supremo em um momento de forte repercussão política e institucional. O caso agora envolve não apenas as mensagens entre Vorcaro e Alexandre de Moraes, mas também a confirmação de que o empresário teve uma reunião reservada com André Mendonça meses antes da deflagração das investigações que atingiram o Banco Master.

Embora Mendonça afirme que o encontro teve caráter exclusivamente relacionado ao processo dos precatórios e que não discutiu a situação do Banco Master junto ao Banco Central, os áudios e mensagens divulgados mostram que a aproximação foi articulada por pessoas próximas ao banqueiro e que havia expectativa de uma conversa sobre questões que envolviam sua situação empresarial.

O episódio adiciona mais um capítulo à crise institucional provocada pelo conteúdo extraído dos aparelhos de Daniel Vorcaro e aumenta a expectativa sobre como o Supremo Tribunal Federal e a Procuradoria-Geral da República irão conduzir as próximas etapas das apurações.

FONTE/CRÉDITOS: Redação