O futebol de Jequié vive uma semana de forte turbulência fora das quatro linhas. O centro da polêmica envolve a parceria entre a Associação Desportiva Jequié - ADJ e a SAF do Fluminense de Feira, que virou alvo de acusações públicas e já mobiliza o Conselho Deliberativo do clube jequieense.

A crise ganhou dimensão pública na quinta-feira 05/03, quando o presidente da SAF do Fluminense de Feira, Filemon Neto, afirmou em entrevista ao programa de Osvaldo Batista que a diretoria do Jequié teria dado “calote” em valores que deveriam ser repassados à equipe feirense. Segundo ele, os recursos seriam provenientes de contratos de patrocínio e também de cotas repassadas pela FBF.

De acordo com Filemon, os valores previstos no contrato da parceria não estariam sendo transferidos e, além disso, a diretoria da ADJ estaria se recusando a prestar esclarecimentos sobre a situação financeira. Antes da entrevista, o dirigente já fazia críticas contra a diretoria da ADJ, levando as acusações para grupos de WhatsApp de torcedores do Jequié e também para programas esportivos da região.

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A repercussão levou o Conselho Deliberativo da ADJ a reagir rapidamente. Ainda na noite da quinta-feira, conselheiros convocaram a diretoria do clube para prestar esclarecimentos sobre as denúncias e decidiram abrir uma apuração interna. Três membros do conselho foram designados para analisar o caso e verificar se houve ou não descumprimento das obrigações contratuais.

Informações obtidas pela reportagem indicam que há valores previstos para os próximos meses que somam mais de R$ 1,7 milhão em receitas ligadas à parceria. Esses recursos seriam provenientes principalmente de patrocínios e de repasses institucionais.

Entre eles estaria o patrocínio master da camisa, estimado em aproximadamente R$ 800 mil, além do apoio financeiro da Prefeitura de Jequié, que chegaria a cerca de R$ 400 mil. Também estariam incluídos valores de cotas repassadas ao clube por meio da Confederação Brasileira de Futebol.

Conselheiros ouvidos pela reportagem, sob condição de anonimato, afirmam que parte desses recursos não passa pela conta da ADJ, sendo depositada diretamente na conta vinculada à SAF do Fluminense de Feira. Apenas o repasse da Prefeitura de Jequié seria creditado inicialmente na conta da ADJ, sendo transferido em seguida para a conta da SAF.

Outro ponto que levanta dúvidas dentro do próprio conselho diz respeito ao contrato que formaliza a parceria. Segundo relatos, o documento teria sido assinado pela diretoria da ADJ e enviado para os dirigentes do Fluminense de Feira, mas ainda não teria retornado com as assinaturas da parte feirense. A ausência do contrato completo estaria dificultando a análise detalhada das cláusulas pelos conselheiros.

Diante do clima de tensão, integrantes do conselho afirmam que o caso pode acabar sendo discutido também na Justiça, tanto na esfera cível quanto na criminal. A avaliação é que o teor das acusações públicas feitas pelo dirigente do Fluminense e as reações nas redes sociais, inclusive com ofensas pessoais a dirigentes da ADJ, podem resultar em medidas judiciais.

Enquanto o impasse segue nos bastidores, o clube tenta manter o foco dentro de campo. A ADJ se prepara para a disputa do Campeonato Baiano Sub-20, cuja estreia está marcada para este sábado 07/03, às 15h, contra a Catuense, no Estádio Waldomiro Borges.

Nos próximos dias, a expectativa é de que o Conselho Deliberativo conclua os primeiros levantamentos sobre o caso, o que pode esclarecer se houve falha administrativa, divergência contratual ou apenas um conflito de interpretações sobre a parceria entre os clubes.

FONTE/CRÉDITOS: Rafael