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Estamos nos aproximando do fim de 2025 e o clima já é totalmente eleitoral. As atenções se voltam para 2026, que promete ser um ano de muitos plot twists e disputas com cara de final de campeonato. Nos bastidores, a semana foi intensa. Vamos aos fatos.
Até que enfim
Parece que a pressão, finalmente, surtiu efeito. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, fez o que se esperava: decretou a perda do mandato de Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem. Ambos fugiram para os Estados Unidos, mas continuavam recebendo salários e verbas de gabinete como se nada tivesse acontecido.
Ramagem já foi condenado a 16 anos de prisão por tentativa de golpe. Eduardo Bolsonaro, por sua vez, responde por coação no curso do processo, após articular medidas políticas para pressionar o STF. A estratégia não deu certo e, de quebra, ainda ajudou a impulsionar a popularidade do presidente Lula, depois das peripécias do deputado em terras do tio Sam. Agora, resta chorar na porta de Trump e pedir para salvar o papai. Será que lá também tem um caboclo pra chorar no pé?
Galego esperto
De bobo, o senador Jaques Wagner não tem nada. À primeira vista, pareceu que ele jogou contra o governo ao articular a aprovação do PL da Dosimetria na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Renan Calheiros expôs a articulação e a base petista reagiu com fúria, chamando Wagner até de traíra.
Mas tudo não passou de uma jogada de mestre. O projeto, de interesse indireto do bolsonarismo, foi aprovado, seguiu para sanção presidencial e Lula já avisou: vai vetar. O veto retorna ao Congresso, que analisará a decisão e, com a articulação correta, deverá mantê-lo. Resultado: o projeto que reduziria penas de Bolsonaro morre no caminho. Um passo atrás para dar dois à frente. Se fosse filme, entraria agora a voz do Capitão Nascimento: “O conceito de estratégia…”
Campanha turbinada
Os deputados aprovaram um aumento substancial nas emendas parlamentares para 2026. Levantamentos indicam que cerca de 85% desses recursos têm origem no antigo “orçamento secreto”. Papai Noel foi generoso com suas excelências.
O próximo ano será farto em recursos para turbinar campanhas e tentar renovar mandatos. Só esqueceram de um detalhe: o dinheiro não é deles, é do povo. Deputado deveria trabalhar para votar projetos que melhorem a vida da população — não a própria. Renovar esse Congresso será difícil, mas necessário. Do jeito que está, o interesse coletivo passa longe.
Lapso de R$ 400 mil
Já tem gente da direita defendendo a escala 6x1. Não por amor aos trabalhadores, mas porque a Polícia Federal tem batido à porta com frequência. Na última sexta-feira, uma operação contra desvios de emendas encontrou mais de R$ 400 mil em dinheiro vivo na casa do líder do PL, Sóstenes Cavalcante.
A explicação? Ele teria vendido um terreno e “esquecido” de depositar o valor no banco. Um simples lapso de memória. Afinal, quem nunca guardou quase meio milhão de reais dentro de um saco de lixo, no guarda-roupa? Normalíssimo. Não julguem.
Sinuca de bico
Quem vive um momento cada vez mais complicado é o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto. Cotado como candidato da oposição ao Palácio de Ondina em 2026, Neto tenta montar um grupo competitivo, mas o cenário não ajuda.
Em 2022, tinha a eleição nas mãos e perdeu feio. Sumiu, isolou-se, reapareceu em 2024 tentando eleger aliados prefeitos e preparar o terreno para 2026. Resultado: desempenho pífio. Foi engolido pelo PT e seus aliados. Para piorar, assistiu Jerônimo Rodrigues avançar sobre prefeitos que antes apoiavam Neto. Quase 90% já declarou fidelidade a Jero. Entre eles, o prefeito de Jequié, que segue sendo o grande sonho de consumo de Neto para uma chapa.
Vai ficar pior
O cenário tende a se agravar com o anúncio de Flávio Bolsonaro como provável candidato da direita ao Planalto. Neto sabe que, na Bahia, Lula vence em cerca de 98% das cidades. Em 2022, tentou se equilibrar: ficou sem candidato a presidente e ainda ensaiou colar sua imagem a Lula em santinhos avulsos. Não adiantou.
Agora, o recado é direto: só terá apoio da direita se declarar voto em Flávio Bolsonaro. Uma equação quase impossível. Alta rejeição, poucos prefeitos aliados, ausência de nomes fortes no estado e uma associação que pode ser fatal. Diante disso, Neto talvez siga o exemplo de Ciro Gomes em 2018 e tire férias em Paris, deixando a campanha para um boi de piranha qualquer.
Nó na cabeça
Na última sexta-feira, o senador Angelo Coronel recebeu o título de cidadão jequieense. A recepção foi digna de chefe de Estado: prefeito, vereadores, lideranças locais, prefeitos e políticos da região marcaram presença.
Mas um rosto chamou atenção: Leur Lomanto Jr., deputado do União Brasil, opositor de Jerônimo Rodrigues e aliado histórico de ACM Neto. A presença dele acendeu o alerta nos observadores da política.
“Cocá vai deixar Jerônimo?”
“Coronel tenta puxar Cocá e Leur para o grupo de Neto?”
"Leur abandonará Neto?"
As dúvidas são muitas e a neblina cobre os prognósticos de 2026.
E aí? Qual vai ser?
Chegaram a circular rumores de que Zé Cocá seria candidato a deputado federal pelo PSB em 2026, com o aval de Leur. O prefeito tratou de negar e afirmou que não disputará cargo federal.
Mas uma coisa é certa: na visita de Angelo Coronel a Jequié, Cocá mostrou força. Reuniu prefeitos e vereadores da região e atuou como maestro, cuidando de cada detalhe. Seu passe só valoriza. E, olhando mais adiante, 2030 não parece um sonho tão distante para Jequié voltar a ter um filho político disputando o governo da Bahia.
Ainda é cedo para cravar. Mas tudo indica que o jogo está só começando.
Que venham os próximos capítulos.
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