As voltas da vida

Anos atrás, enquanto ainda era deputado federal, o ex-presidente Jair Bolsonaro gravou um vídeo rindo sobre o destino de parlamentares envolvidos na Operação Lava Jato. Mostrando um jornal com a manchete que listava 83 nomes de políticos — em sua maioria da esquerda — Bolsonaro soltou a célebre frase:
“A Papuda lhe espera, boa estadia lá.”

Na sequência, ele começa a rir e faz o seu famoso sinal de arma com as mãos.
Anos depois, ironicamente, o ex-presidente foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. O local onde deverá cumprir a pena, inicialmente, provavelmente será o presídio da Papuda.
Eita, as voltas que essa terra dá.


Reforço de peso

O grupo do deputado federal Antônio Brito segue se fortalecendo para a campanha de 2026. Após garantir o apoio do vereador Ramon Fernandes (PT), quem também se tornou “Time AB” foi o ex-vereador Walmiral Marinho.

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Nos bastidores, a união é vista como um reforço de peso, dada a capacidade de articulação de Walmiral e a grande influência política de Brito. Advogado que atua como procurador em alguns municípios da região, Walmiral tem potencial para ser um grande cabo eleitoral do deputado em cidades onde predominam outros grupos políticos.

E essa não deve ser a última adesão ao grupo de Brito. Pessoas próximas ao deputado costumam dizer que o time dele é “igual coração de mãe: sempre cabe mais gente”.


Overclean pra que te quero

A temida operação que mira desvios de emendas parlamentares tem como principal alvo políticos do partido comandado pelo ex-prefeito de Salvador, ACM Neto. A Polícia Federal tem fechado o cerco, e já tem gente acordando às 5h da manhã para esperar a visita dos agentes.

O próprio ACM tem andado de cabeça quente com os estragos que a operação tem causado em seu projeto político para 2026. Em 2021, por essa mesma época, já fervilhavam notas em sites e blogs de todo o estado sobre Neto, preparando o eleitorado para a candidatura “favorita” nas pesquisas.

Agora, o clima é outro — e parece que só haverá uma chapa forte na disputa ao governo da Bahia. Ainda mais depois que Jerônimo jogou seu “charme indígena” sobre vários prefeitos e lideranças que apoiaram ACM Neto no passado.

Neto esperava que a união do PP com o União Brasil garantisse, ao menos, a permanência do prefeito Zé Cocá em seu grupo. Mas o pintadinho não resistiu ao sorriso de “Jero”, e o casamento político já está com data marcada.
Em 2026, Cocá é Jero e Jero é Cocá.


Vai melar

Falando na federação PP com o União Brasil, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, afirmou que vai se reunir com o presidente Antonio Rueda para desfazer a união entre os partidos.

Muitos estados enfrentam situações políticas únicas e complicadas. Enquanto em Brasília o PP faz oposição ao PT, na Bahia os parlamentares do partido integram a base de apoio ao governador petista.

Com o anúncio da federação, deputados estaduais já sinalizaram debandada, deixando um enorme vácuo nos quadros do partido, que já havia perdido vários nomes para o Avante.
A ideia de um superpartido até parecia boa — mas a execução saiu pior que a encomenda.


Missão

Vem aí mais um partido político: o Missão, idealizado pelo grupo Movimento Brasil Livre (MBL) — aquele das manifestações de 2013.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizou a criação do partido, que já deve disputar as eleições de 2026 com o número 14. Entretanto, com base na legislação eleitoral, o novo partido não deverá ter grande tempo de rádio e TV, devido à sua pouca representatividade no Congresso Nacional.

Com a janela partidária se aproximando, em março de 2026, é certo que o deputado federal Kim Kataguiri será o primeiro a migrar para o partido, saindo do União Brasil. Outros políticos podem segui-lo, mas dificilmente isso mudará o cenário.

O presidente da nova sigla já anunciou que o Missão terá candidato próprio à Presidência da República em 2026. Espera-se que seus membros tenham aprendido algo com os erros — e alianças — das eleições de 2018 e 2022.


Reconhecimento merecido

A política é feita com base na história — aprendendo com os que chegaram antes de nós e deixaram o seu legado. A esses, devemos sempre render homenagens merecidas.

Com esse intuito, o Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM) homenageará o ex-governador e ex-senador César Borges com a Medalha do Mérito Luís Eduardo Magalhães, honraria que reconhece os relevantes serviços prestados pelo político jequieense ao estado da Bahia.

A entrega deverá acontecer em março de 2026, na sede do tribunal.
César Borges receberá a medalha ao lado de grandes figuras nacionais, como o ministro Rui Costa e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.

Uma coisa é certa: a homenagem ao ex-governador é um reconhecimento justo e merecido pela sua trajetória e dedicação à Bahia.

FONTE/CRÉDITOS: Redação