A enfermeira Dalila Aguiar, que disputou por duas vezes a Prefeitura de Itagibá, afirmou que a experiência de quase duas décadas na área da saúde influencia diretamente sua atuação política e o olhar crítico sobre os problemas enfrentados pela população do município.

Com 18 anos de formada, Dalila destacou que o cuidado com as pessoas, aprendido na enfermagem, foi o principal fator que a levou a ingressar na política. Segundo ela, a vivência profissional em contextos de vulnerabilidade reforçou o compromisso com a responsabilidade social e com a gestão pública voltada às reais necessidades da população.

Dalila avaliou que as experiências acumuladas nas eleições de 2020 e 2024 contribuíram para o amadurecimento político, sem alterar a essência do seu projeto. Para ela, administrar uma cidade exige sensibilidade para compreender que, em cada bairro, distrito ou localidade rural, existem demandas urgentes nas áreas de saúde, assistência social e infraestrutura.

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Durante a entrevista, a ex-candidata apontou a saúde como o setor mais crítico da atual gestão municipal. De acordo com Dalila, faltam insumos básicos nas unidades de saúde, como medicamentos e materiais para controle de glicemia. Ela também criticou a ausência de um hospital no município e o atraso na entrega da policlínica, cuja obra foi iniciada em 2021 e, até hoje, não foi concluída.

Ao comentar sobre as finanças do município, Dalila afirmou que Itagiba possui uma arrecadação elevada para o seu porte populacional, impulsionada por royalties da mineração e receitas próprias. Na avaliação dela, se os recursos fossem bem administrados, seria possível investir em hospital, habitação popular, infraestrutura urbana e políticas voltadas à juventude. Para a enfermeira, a realidade atual revela uma cidade com recursos, mas com grande parte da população vivendo em situação de carência.

Questionada sobre a operação policial que investigou licitações no município, Dalila classificou o episódio como grave e sem precedentes na história de Itagiba. Ela ressaltou que a ação envolveu cerca de 60 policiais e órgãos especializados no combate ao crime organizado e à corrupção, atingindo setores estratégicos da administração municipal. Segundo Dalila, o impacto da operação ainda é sentido pela população e reforça a necessidade de fiscalização rigorosa dos atos da gestão.

Dalila também comentou o papel que pretende desempenhar como principal voz de oposição no município. Segundo ela, a atuação será de vigilância permanente, com denúncias sempre que houver prejuízo aos interesses da população. A ex-candidata afirmou que Itagibá não concedeu um “cheque em branco” ao atual prefeito e que continuará se posicionando publicamente diante de irregularidades.

No campo político, Dalila destacou a relação de diálogo com o prefeito de Jequié, Zé Cocá, e afirmou que acompanha as articulações regionais e estaduais. Ela confirmou apoio aos deputados Hassan (estadual) e Leur (federal) nas eleições de 2026 e defendeu que o resultado do próximo pleito será determinante para o cenário municipal de 2028.

Sobre o futuro, Dalila disse que permanece à disposição da população de Itagiba para os próximos desafios políticos. Apesar de destacar avanços recentes na carreira profissional, incluindo especialização em cuidados paliativos pela Fiocruz e atuação em projetos ligados ao Ministério da Saúde, ela afirmou acreditar em um projeto coletivo maior para o município.

Ao final da entrevista, Dalila deixou uma mensagem de encorajamento à população, afirmando que continuará sendo uma voz ativa em defesa dos moradores que se sentem intimidados ou sem espaço para se manifestar. Para ela, Itagiba tem potencial para avançar e alcançar um novo patamar de desenvolvimento, desde que haja compromisso com a boa gestão dos recursos públicos.

FONTE/CRÉDITOS: Redação