O escultor jequiense Pedro César, radicado há décadas em Botucatu, no interior de São Paulo, retornou à sua terra natal e concedeu uma entrevista à Rádio 95 FM. Dono de uma carreira consolidada, com obras espalhadas por 43 países, o artista aproveitou a visita para relembrar a infância em Jequié, contar sua trajetória profissional e deixar uma mensagem de incentivo aos jovens que desejam seguir o caminho da arte.

Durante a entrevista, Pedro recordou os primeiros anos de vida no bairro Jequiezinho, onde a criatividade surgiu ainda na infância. Ele contou que costumava improvisar brinquedos e criar soluções para as dificuldades da época, experiências que despertaram sua paixão pela escultura e pela arte.

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A mudança para São Paulo marcou o início de uma nova etapa. Pedro trabalhou durante 31 anos na Polícia Científica, sem abandonar a vocação artística. Com dedicação e aperfeiçoamento constante, conquistou reconhecimento nacional e internacional, produzindo monumentos, bustos e esculturas em bronze para clientes de diversas partes do Brasil e do mundo. Hoje, suas obras estão presentes em 43 países.

Entre os trabalhos de maior destaque está a escultura em bronze de Beto Carreiro, com aproximadamente 960 quilos, produzida ao longo de quatro meses por uma equipe de seis profissionais. Pedro também desenvolveu esculturas e estatuetas para Pelé, que, segundo o artista, utilizava uma de suas criações como presente para amigos e autoridades durante viagens internacionais.
O escultor explicou que cada obra em bronze passa por um longo processo de criação, começando pela modelagem em plastilina, seguida da produção de moldes, fundição, soldagem e acabamento. Conforme destacou, a maior recompensa é ver a emoção das pessoas ao receberem uma obra que eterniza histórias e homenagens.

Na Bahia, Pedro César também deixou sua marca. O artista possui monumentos instalados em cidades como Salvador, Feira de Santana, Itabuna, Santo Antônio de Jesus e Pojuca. Entre os maiores desafios da carreira, ele destacou a construção de uma imagem de Nossa Senhora das Graças, para o Paraguai, com mais de 15 toneladas e dividida em três partes para transporte e montagem.

Mesmo com o reconhecimento alcançado, Pedro faz questão de manter a simplicidade. Segundo ele, o sucesso é resultado de muito trabalho, persistência e da experiência acumulada ao longo dos anos.

Durante a entrevista, o escultor direcionou uma mensagem especial aos artistas de Jequié e da região. Ele incentivou quem produz arte a não desistir dos próprios sonhos, buscar aperfeiçoamento e, principalmente, mostrar seus trabalhos ao público.

Pedro também defendeu que o poder público amplie os espaços para exposição de artistas locais, aproximando a população da produção cultural. Além disso, colocou sua experiência à disposição para orientar gratuitamente novos talentos que desejam ingressar no universo da escultura.

Ao final da entrevista, o artista agradeceu o convite da Rádio 95 FM e reafirmou o carinho que mantém por Jequié. "Estou torcendo para que Jequié seja um destaque também na cultura", afirmou, colocando-se à disposição para colaborar com iniciativas que fortaleçam a arte e valorizem os talentos do município.

FONTE/CRÉDITOS: Redação