A oposição na Câmara dos Deputados protagonizou uma manobra que soa como deboche com a população brasileira: nomeou o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) como líder da Minoria, garantindo a ele um “escudo” contra a perda do mandato, apesar de estar há meses fora do país.

Antes, o cargo era ocupado por Carol de Toni (PL-RS), que agora foi rebaixada a 1ª vice-líder para abrir espaço ao filho do ex-presidente. A mudança não é mera troca interna. O objetivo é claro: impedir que Eduardo seja punido pelas faltas consecutivas desde fevereiro de 2025, quando embarcou para os Estados Unidos e nunca mais registrou presença ou voto no plenário.

A jogada se apoia em um ato da Mesa Diretora de 2015, editado à época por Eduardo Cunha, que concede aos líderes partidários a prerrogativa de não justificar ausências. Ou seja, uma brecha legal transformada em salvo-conduto político.

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Pela Constituição, qualquer deputado que faltar a mais de um terço das sessões ordinárias sem justificar pode perder o mandato. Mas, protegido pelo título de líder, Eduardo escapa dessa regra e, mesmo ausente, continua embolsando R$ 46,3 mil de salário bruto por mês.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, confirmou que a manobra foi articulada e comunicada ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que teria dado o aval.

No fim das contas, a manobra não é apenas uma proteção a Eduardo Bolsonaro, mas um recado perigoso: em Brasília, parece que o mandato pode ser exercido do exterior, sem voto, sem presença e sem compromisso com quem elegeu. Enquanto isso, o contribuinte brasileiro paga a conta.

FONTE/CRÉDITOS: Rafael Gomes