Um ex-policial registrou em cartório acusações graves envolvendo o advogado Eli Cohen, um dos primeiros denunciantes do esquema de fraudes e desvios no INSS, mas voltou atrás meses depois, apresentando uma nova declaração na qual afirma que as informações anteriores não eram verdadeiras. As versões conflitantes passaram a integrar o debate na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga irregularidades em descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas.

De acordo com o primeiro documento, com firma reconhecida em 24 de outubro de 2025, o ex-policial Rogério Gilio Gomes afirmou que Eli Cohen teria solicitado R$ 5 milhões ao marqueteiro ligado ao Partido Liberal (PL) para atuar politicamente em favor da legenda e direcionar o foco das investigações da CPMI para entidades supostamente próximas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O registro foi feito após Cohen já ter prestado depoimento à comissão, onde se apresentou como colaborador das investigações sobre o esquema de fraudes no INSS.

A denúncia ganhou repercussão ao ser citada em requerimentos apresentados por parlamentares na CPMI, que defendem a convocação de envolvidos para esclarecer as contradições. No entanto, em dezembro do mesmo ano, Rogério Gilio Gomes compareceu novamente a um cartório e apresentou um novo documento no qual afirma que as declarações feitas anteriormente não correspondiam à verdade, sem detalhar os motivos da retratação.

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Até o momento, não há confirmação por parte da Polícia Federal, do Ministério Público ou do Judiciário de que o suposto pedido de R$ 5 milhões tenha ocorrido ou de que tenha havido tentativa concreta de interferência política nas investigações. As informações permanecem no campo das declarações documentais contraditórias, sem comprovação independente.

A sucessão de versões levou parlamentares a defenderem novas oitivas na CPMI do INSS, com o objetivo de esclarecer se houve tentativa de manipulação das investigações ou se o caso se resume a um conflito de narrativas entre os envolvidos. Enquanto isso, o episódio expõe o ambiente de tensão política que envolve a comissão e reforça a disputa em torno do controle da narrativa sobre um dos maiores escândalos recentes envolvendo o sistema previdenciário brasileiro.

FONTE/CRÉDITOS: Redação