O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República nas eleições de 2026, passou a ser formalmente investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por sua participação nas negociações envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A investigação é conduzida pelo ministro André Mendonça e foi aberta em julho, após pedido da Polícia Federal e manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República. A existência do inquérito ganhou destaque nesta sexta-feira (11), após informações sobre a apuração serem divulgadas no contexto do avanço das investigações relacionadas ao caso Banco Master.

Segundo as informações reunidas pela investigação, Flávio Bolsonaro teria negociado diretamente com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, recursos para financiar a produção do longa. Conversas entre os dois, incluindo um áudio tornado público neste ano, mostram o senador tratando de valores milionários destinados ao projeto.

Leia Também:

A Polícia Federal apura a origem e o destino dos recursos. Uma das linhas de investigação envolve aproximadamente US$ 10,6 milhões, valor equivalente a cerca de R$ 60 milhões, que teria sido repassado por Vorcaro para o financiamento do filme. O dinheiro teria chegado ao fundo Havengate, nos Estados Unidos, por meio de estruturas financeiras relacionadas ao grupo investigado no caso Banco Master.

Documentos encontrados durante as investigações, no entanto, indicam que a negociação poderia envolver valores ainda maiores. Segundo informações divulgadas nesta semana, contratos relacionados ao projeto mencionam aproximadamente US$ 24 milhões, o equivalente a mais de R$ 130 milhões na cotação atual.

A PF busca esclarecer se os recursos foram destinados exclusivamente à produção cinematográfica ou se houve outras finalidades, incluindo eventual benefício a integrantes do grupo político ligado à família Bolsonaro. Uma das hipóteses investigadas é se houve algum tipo de troca de favores políticos em razão dos repasses.

Duas investigações diferentes

O caso “Dark Horse” possui atualmente duas frentes de investigação no STF.

Uma delas, conduzida por André Mendonça, surgiu a partir do inquérito que apura as suspeitas de fraude envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro. Nessa frente, o foco está justamente nos recursos que teriam saído do grupo ligado ao empresário para financiar a produção do filme e em possíveis conexões políticas.

A outra investigação é conduzida pelo ministro Flávio Dino e envolve suspeitas de utilização irregular de emendas parlamentares e recursos públicos que teriam relação com empresas e organizações ligadas à produção do longa.

A defesa de Flávio Bolsonaro chegou a pedir ao STF que as investigações fossem concentradas sob a relatoria de Mendonça, argumentando que os procedimentos tratam dos mesmos fatos e poderiam produzir decisões conflitantes.

Operação da PF atingiu envolvidos na produção

Na quinta-feira (10), a Polícia Federal deflagrou uma operação para investigar suspeitas de desvio de recursos públicos relacionados ao filme. Foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.

Entre os alvos estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP), que destinou emendas parlamentares para entidades ligadas à produtora, e Karina Gama, responsável pela Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”.

A investigação também alcança entidades que receberam recursos públicos e que possuem ligação com a produção do filme.

Relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) apontaram o envio de milhões de reais em emendas parlamentares para organizações comandadas ou ligadas a Karina Gama. Parte desses recursos teria sido destinada originalmente a projetos sociais e educacionais.

A Polícia Federal investiga se uma parcela do dinheiro público acabou sendo desviada ou utilizada, direta ou indiretamente, na produção do longa.

As suspeitas incluem crimes como peculato, lavagem de dinheiro, falsidade documental, organização criminosa e irregularidades em contratos públicos.

Flávio nega irregularidades

Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade e afirma que sua participação se limitou à busca de financiamento privado para a produção do filme sobre o pai.

Após a operação da PF, o senador criticou a atuação do ministro Flávio Dino e afirmou que a investigação representaria uma tentativa de interferência política nas eleições de 2026.

O candidato também declarou que não existe dinheiro público no filme e defendeu que a produção seja investigada, caso haja qualquer irregularidade, mas contestou a forma como as apurações estão sendo conduzidas.

Apesar das negativas, a inclusão formal de Flávio Bolsonaro no inquérito de André Mendonça coloca o candidato presidencial diretamente no centro de uma investigação que envolve o Banco Master, Daniel Vorcaro, transferências milionárias ao exterior e a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro.

As investigações continuam sob sigilo em parte dos procedimentos. A partir da análise dos documentos, mensagens, contratos e movimentações financeiras, a Polícia Federal deverá tentar esclarecer a origem dos recursos e se houve alguma contrapartida relacionada aos valores negociados para o financiamento de “Dark Horse”.

FONTE/CRÉDITOS: Redação