A mais recente pesquisa da Fundação Friedrich Ebert Stiftung (FES), intitulada “Juventudes: Um Desafio Pendente”, escancara uma realidade que o país insiste em não enfrentar: a juventude brasileira continua sendo a principal vítima do desemprego, da desigualdade e do abandono das políticas públicas.

O levantamento, realizado em 2024 com mais de dois mil jovens em todo o país, revela que apenas 36% têm emprego estável, enquanto a maioria enfrenta vínculos temporários, informais ou sequer encontra trabalho. O quadro é ainda mais grave quando se recorta por raça e gênero: apenas 29% dos jovens pretos e 31% das mulheres estão em empregos fixos.

Apesar das adversidades, 88% acreditam em um futuro melhor, um dado que traduz mais resistência do que otimismo. Essa esperança sobrevive num cenário de desmonte de políticas públicas, iniciado após 2016, que reduziu investimentos em programas como o ProJovem e limitou a expansão de oportunidades com a Reforma Trabalhista e o teto de gastos.

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A pobreza e o desemprego aparecem como as maiores preocupações de 61% dos jovens brasileiros, seguidos pela violência e pela falta de acesso a direitos básicos. Para eles, o Estado ainda é o principal responsável por mudar essa realidade — mas o que se vê é um país que fala em meritocracia enquanto fecha portas para quem mais precisa.

Outro dado alarmante é o baixo conhecimento sobre políticas públicas de juventude: apenas 16% dos entrevistados souberam citar algum programa. O Jovem Aprendiz, o ENEM e o Bolsa Família aparecem como os mais lembrados, mas o desconhecimento generalizado reflete o apagamento institucional das políticas voltadas às novas gerações.

Quando perguntados sobre as prioridades do país, 55% apontaram a geração de empregos como o tema mais urgente. A juventude quer trabalhar, mas o mercado segue seletivo e desigual. A informalidade se tornou regra, e o primeiro emprego virou privilégio.

O relatório conclui que o Brasil precisa reconstruir a ponte entre juventude e Estado, investindo em políticas que combinem formação, inovação e inclusão social. O desafio não é apenas econômico, é civilizatório: sem oportunidades, o país arrisca perder a geração mais numerosa e conectada de sua história.

Enquanto o discurso oficial promete “futuro para os jovens”, a realidade mostra que esse futuro ainda está sendo adiado.
E o tempo da juventude — esse, ao contrário das promessas — não espera.

FONTE/CRÉDITOS: Rafael Gomes