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Segunda-feira, 09 de Fevereiro de 2026

Notícias/Saúde

Prefeitura de São Paulo compra canabidiol até oito vezes mais caro e sem registro no Brasil

Licitação milionária para fornecimento de medicamento à base de cannabis gera críticas por superfaturamento, critérios restritivos e questionamentos sanitários

Prefeitura de São Paulo compra canabidiol até oito vezes mais caro e sem registro no Brasil
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A Prefeitura de São Paulo abriu uma licitação que pode chegar a R$ 521 milhões por ano para a compra de produtos à base de canabidiol (CBD) destinados à rede pública de saúde. A iniciativa, que tem como objetivo ampliar o acesso ao tratamento de pacientes com diversas doenças, passou a ser alvo de forte polêmica após a constatação de que o município estaria pagando valores até oito vezes superiores aos praticados no mercado.

Levantamentos comparativos apontam que os frascos de canabidiol adquiridos pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) custaram entre R$ 850 e R$ 1,9 mil, enquanto produtos semelhantes disponíveis no mercado brasileiro apresentam preços médios entre R$ 426 e R$ 931. A diferença expressiva levantou suspeitas de superfaturamento e má gestão de recursos públicos.

O contrato foi firmado com a empresa Velox Transportes de Produtos e Serviços, vencedora da licitação mesmo apresentando os preços mais elevados entre os concorrentes. O canabidiol fornecido tem origem no Paraguai e não possui registro regular no Brasil, o que gerou questionamentos sobre a legalidade e o controle sanitário do produto utilizado no sistema público de saúde.

Outro ponto que chamou a atenção de especialistas foi o edital da licitação, que estabeleceu exigências técnicas incomuns, como a obrigatoriedade de que o canabidiol contivesse vitamina E e ômega 3. Segundo especialistas da área da saúde, não há comprovação científica de que esses componentes sejam essenciais para a eficácia do medicamento, o que pode ter restringido a concorrência e favorecido a empresa vencedora.

Diante das inconsistências, o caso passou a ser alvo de questionamentos em órgãos de controle, incluindo representações no Ministério Público e no Tribunal de Contas, que analisam possíveis irregularidades administrativas, ausência de transparência e dano ao erário.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que a compra tem como finalidade garantir o acesso ao tratamento com canabidiol a pacientes que antes dependiam de decisões judiciais, e que todo o processo seguiu a legislação vigente para incorporação de tecnologias no sistema público de saúde.

Mesmo assim, a contratação segue sob críticas e amplia o debate sobre gestão de recursos públicos, critérios técnicos em licitações e a regulação do uso medicinal da cannabis no Brasil.

FONTE/CRÉDITOS: Redação
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