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O rádio entrou na vida de Silvio Ribeiro Gonçalves Júnior quase como um chamado. E talvez tenha sido mesmo. Nascido em Jequié, criado entre o Pau Ferro, a Rua do Sal e o bairro Brasil Novo, o menino que um dia subiu as escadas de uma rádio católica apenas por curiosidade jamais imaginaria que, anos depois, se tornaria uma das vozes mais conhecidas e carismáticas da comunicação jequieense.
Hoje, aos 36 anos, casado há quase 13 anos com Ieda, pai de duas filhas e acumulando experiências no rádio, na internet, na televisão e no empreendedorismo, Silvio Júnior retorna à Rádio 95 FM com o sentimento de quem volta para casa.
“Eu escolhi a 95. E melhor que isso: a 95 me escolheu”, resume.
A história de Silvio no rádio começou de forma improvável. Ainda adolescente, entre 13 e 14 anos, ele acompanhava um amigo que frequentava uma rádio católica da cidade. O fascínio pelos locutores veio rápido. Ficava observando os programas, aprendendo cada detalhe, imitando os comunicadores fora do ar. Até que recebeu um convite inesperado.
“Tu não quer apresentar o rádio comigo não?”, perguntou Sheldon, um dos comunicadores da emissora, ao perceber o entusiasmo do garoto.
O medo apareceu primeiro. A insegurança também. Quando ouviu a própria voz gravada pela primeira vez, pensou em desistir. Achava a voz “feia demais”. Mas continuou. Aprendeu. Persistiu.
Foi na Rádio Católica FM 98.5 que nasceu o comunicador que mais tarde ganharia espaço no rádio comercial e conquistaria uma legião de ouvintes.
A primeira experiência profissional veio justamente na Rádio 95 FM, inicialmente em programas religiosos, ao lado do Padre Vitor, no “Abraço de Pai”. Depois vieram outras oportunidades, como o “Show dos Bares”, programa que marcou época aos domingos e ajudou a consolidar sua identidade no rádio.
Ali também recebeu palavras que jamais esqueceu. O saudoso radialista Jorge Nunes enxergou cedo o diferencial na voz do jovem comunicador.
“Você vai fazer sucesso no futuro. Sua voz é diferente”, dizia Jorge.
Silvio guardou aquilo para sempre.
Ao longo da trajetória, acumulou passagens importantes, incluindo temporadas na Rádio Povo AM e na Rádio 95 FM ao lado de Uelton Blacker, em programas como “Vale Night” e “Na Mídia”. Fora do rádio, diversificou a vida profissional: trabalhou com piscinas, formou-se técnico em edificações, investiu em redes sociais, criou páginas de grande alcance em Jequié, tornou-se corretor de imóveis e ainda passou pela TV web, experiência que considera uma grande escola.
Mas, independentemente da plataforma, uma característica permaneceu intacta: a forma humana de se comunicar.
Silvio não fala apenas ao microfone. Ele cria vínculo. Escuta. Acolhe. E isso fica evidente nas histórias que carrega na memória.
Uma delas aconteceu ainda na Rádio Católica. Durante a oração do terço da misericórdia, uma mulher ligou desesperada. O marido estava internado, desenganado pelos médicos. Sem saber explicar, Silvio pediu que ela retornasse ao hospital porque encontraria o marido bem. No dia seguinte, a ouvinte ligou novamente para contar que o homem havia acordado sem sequelas.
“Não fui eu. Simplesmente saiu de mim”, recorda emocionado.
Outro episódio marcante envolveu uma menina chamada Lara, que lutava pela vida em Salvador. Durante dias, familiares acompanharam as orações feitas no rádio. Contra os prognósticos médicos, Lara conseguiu sobreviver por anos após aquele período delicado.
Histórias como essas ajudaram a fortalecer uma relação rara entre comunicador e audiência. Para Silvio, rádio nunca foi apenas entretenimento.
“O radialista é muito mais que só isso. Tem muita gente do outro lado passando por depressão, angústia, sofrimento. Às vezes uma palavra muda o dia, muda a vida da pessoa”, afirma.
A fé ocupa lugar central em tudo o que faz. Católico atuante durante muitos anos, Silvio fala de Deus com naturalidade e emoção. Diz que não consegue entrar no ar sem verdade. Sem entrega.
“Se eu abrir minha boca para apresentar um programa, eu preciso levar algo verdadeiro. Não pode ser vazio.”
Essa autenticidade também aparece fora do estúdio. Entre colegas, ouvintes e amigos, Silvio construiu fama de alegre, acessível e humano. Características que fizeram sua ausência ser sentida nos últimos meses.
Agora, o retorno à Rádio 95 FM representa mais do que uma mudança profissional. É um reencontro afetivo.
“Eu volto necessitando desse afago, desse colo, desse carinho”, confessa.
Ao falar da família, a emoção aumenta ainda mais. O orgulho do pai, Silvio, conhecido por se apresentar como “pai de Silvio Júnior”. O amor pela mãe, Dona Zita, a quem chama de referência de vida e de fé.
“Minha mãe é minha referência de mulher e de cristã”, diz.
A história de Silvio Júnior é feita de simplicidade, superação, fé e conexão humana. É a trajetória de um menino do Brasil Novo que transformou a paixão pelo rádio em missão de vida.
E agora, de volta aos microfones da Rádio 95 FM, ele promete fazer o que sempre soube fazer melhor: levar alegria, carinho, esperança e verdade aos “melhores ouvintes do mundo”.
Publicado por:
Rafael Gomes
Natural de Ipiaú e radicado em Jequié, onde reside desde 2012. Jornalista com registro n.º 0007012/BA, atua como redator e gerente de mídias da 95 Fm de Jequié. Escritor com dois livros de poesias publicado, atua com maior ênfase no editorial de...
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