O Conselho Universitário (Consuni) da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) referendou, nesta quarta-feira, 11 de março, o nome do campus da instituição em Jequié. A unidade passará a homenagear Maria Felipa, reconhecida como uma das personagens femininas da Independência da Bahia. Na última sexta-feira (6), uma Aula Magna marcou o início das atividades da instituição na cidade.

A decisão marca a escolha de uma mulher negra para nomear o novo campus da universidade. Maria Felipa era marisqueira, pescadora e liderança popular da Ilha de Itaparica, sendo apontada como uma das figuras femininas da luta contra a dominação portuguesa, ao lado de nomes como Maria Quitéria e Joana Angélica.

A proposta foi defendida pela reitora da UFSB, professora Joana Angélica Guimarães da Luz. Segundo ela, a escolha representa um momento de valorização das mulheres na história da instituição e também da própria Bahia. A gestora lembrou que a universidade adotou, desde sua criação, a lógica de homenagear personalidades importantes do país na denominação de seus campi.

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De acordo com a reitora, a definição do nome Maria Felipa também responde à necessidade de ampliar essa representação. Até então, os campi da UFSB homenageavam três personalidades masculinas: Jorge Amado (Ilhéus), Paulo Freire (Teixeira de Freitas) e Sosígenes Costa.

Para Joana Angélica, a homenagem também reforça o papel do povo baiano no processo de Independência. Ao destacar Maria Felipa, a universidade associa o novo campus de Jequié à memória da resistência popular na Bahia e ao protagonismo feminino em um momento decisivo da história do Brasil.

A reitora afirmou ainda que a escolha do nome de um campus contribui para despertar interesse sobre a trajetória da personalidade homenageada e sobre o contexto histórico em que ela viveu.

“Certamente, muita gente vai perguntar ‘quem foi Maria Felipa?’. E a gente vai explicar quem foi Maria Felipa e a importância que ela teve para a Bahia e para o Brasil”, afirmou.

A decisão do Consuni reforça uma linha institucional da UFSB de associar seus espaços acadêmicos a referências históricas, culturais e educacionais do país. No caso de Jequié, a escolha por Maria Felipa dá ao campus um nome ligado à luta popular, à resistência negra e à participação das mulheres na formação histórica da Bahia.

Com o referendo, a universidade oficializa a homenagem em um momento de expansão e consolidação de sua presença no interior baiano. A definição também amplia o reconhecimento público de Maria Felipa, personagem histórica cuja atuação na Independência da Bahia tem ganhado maior visibilidade nos últimos anos.

FONTE/CRÉDITOS: Tiago Marques/Agência Sertão