O cenário político para 2026 já movimenta os bastidores da Bahia e coloca o prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), no centro das articulações. Disputado por oposição e base governista, o gestor jequieense vive um momento estratégico: pode integrar a chapa majoritária como candidato a vice-governador ou permanecer à frente da Prefeitura, influenciando o pleito a partir do interior do estado.

De um lado, ganha força a possibilidade de Cocá compor como vice na chapa de ACM Neto, pré-candidato ao governo da Bahia pelo Uniao Brasil. O nome do prefeito é defendido oficialmente pelo Progressistas (PP). No último dia 12 de fevereiro, Cacá Leão, atual secretário de Governo de Salvador e uma das principais lideranças do partido no estado, afirmou que a legenda trabalha para emplacar Cocá como vice na chapa oposicionista. A eventual composição fortaleceria a estratégia de interiorização da campanha, agregando a força política de Jequié e da região sudoeste ao projeto de Neto.

O próprio ACM Neto, no entanto, tem adotado cautela. O ex-prefeito de Salvador afirmou que a definição do nome do vice só será anunciada “depois da Quarta-Feira de Cinzas”, mantendo o suspense sobre a formação final da chapa. Já Zé Cocá reconhece que houve convite e diálogo, mas evita qualquer confirmação pública, mantendo discurso ponderado para não antecipar rompimentos ou desgastes.

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Paralelamente, há um movimento articulado para atrair o prefeito de volta à base do governador Jerônimo Rodrigues, do Partido dos Trabalhadores (PT). Lideranças governistas enxergam em Cocá um aliado estratégico no interior e buscam consolidar uma aliança que fortaleça o projeto de reeleição do atual chefe do Executivo estadual.

Nesse contexto, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) baiano, sob liderança de Lídice da Mata, articulou a possibilidade de filiação de Cocá, com a sinalização de que ele também poderia ocupar a vaga de vice na chapa governista. No fim de janeiro, o prefeito participou de eventos ao lado de Jerônimo Rodrigues e declarou publicamente que “precisamos estar de mãos dadas” para garantir o desenvolvimento de Jequié — gesto interpretado como sinal de aproximação política.

Apesar da proximidade em agendas públicas, o governador negou recentemente que a adesão formal de Cocá à base governista esteja consolidada. A negativa veio em meio a críticas feitas pelo prefeito ao governo federal, o que expôs ruídos na relação e mostrou que as conversas seguem em estágio de articulação, não de definição.

Nos bastidores, analistas avaliam que Zé Cocá atua em um “jogo duplo” estratégico, mantendo diálogo aberto com campos opostos para valorizar seu passe político e ampliar seu poder de negociação. Ao não fechar portas, o prefeito preserva protagonismo e reforça sua condição de peça-chave no tabuleiro de 2026.

A decisão final, segundo interlocutores, deverá ser anunciada até o fim do período de articulações pré-eleitorais. Até lá, Jequié permanece no centro das atenções da política baiana, com seu prefeito sendo cortejado como possível vice em duas chapas distintas ou como aliado decisivo na disputa pelo Palácio de Ondina.

FONTE/CRÉDITOS: Rafael Gomes