A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) iniciou as audiências públicas para apresentação do projeto de nova concessão dos trechos baianos das BR-116 e BR-324, batizado de “Rota 2 de Julho”. No entanto, o que deveria ser um momento de debate democrático e escuta popular acabou revelando um preocupante cenário: baixa participação da sociedade e ausência de autoridades locais, como ocorreu já na primeira audiência, realizada em Salvador. Deputados estaduais denunciaram a falta de divulgação e criticaram a exclusão da população – principal interessada – do processo.

Para nós, da região de Jequié, o maior alerta continua sendo a duplicação do trecho conhecido como Serra do Mutum. Trata-se de um ponto crítico e perigoso, responsável por inúmeros acidentes fatais ao longo dos anos. A omissão da ViaBahia, antiga concessionária, expôs a fragilidade da gestão pública no cumprimento e fiscalização do contrato. Agora, diante de um novo processo de concessão, não podemos aceitar que os mesmos erros se repitam.

A proposta apresentada fala em investimentos bilionários e atualização das tarifas de pedágio. Mas, para quem depende diariamente dessas rodovias, especialmente nos municípios do Vale do Jiquiriçá e do Médio Rio de Contas, o que mais importa são ações urgentes, concretas e eficazes. Promessas não salvam vidas nem impulsionam o desenvolvimento regional. O que está em jogo é a dignidade e a segurança de milhares de cidadãos que utilizam essas vias.

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Outro ponto inaceitável é a limitação das audiências públicas a apenas três cidades, ignorando completamente Jequié – a maior cidade da região e que é diretamente impactada por ambos os trechos em discussão. São dois territórios de identidade, com cerca de 50 municípios, destes 27 cidades diretamente afetadas, estão sendo deixadas de fora de uma decisão que impactará suas vidas pelos próximos 30 anos!

Por isso, este editorial é um chamado à mobilização. É hora de os representantes políticos da nossa região, lideranças comunitárias, entidades de classe e a sociedade civil se unirem em torno de uma pauta comum: garantir que esta nova concessão seja feita com transparência, responsabilidade e compromisso com as reais necessidades do povo baiano. Chega de omissão! Chega de promessas vazias! Precisamos de ação.

Durante 16 anos, sofremos com o descaso da ViaBahia e com o silêncio das entidades fiscalizadoras que deveriam proteger os interesses públicos. Agora, temos a oportunidade de corrigir esse rumo – mas só conseguiremos se estivermos atentos, mobilizados e unidos.
A hora é agora!

FONTE/CRÉDITOS: Redação