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Moradores atingidos pela enchente que atingiu Jequié em dezembro de 2022 voltarão às ruas nesta terça-feira, 10/06, para cobrar agilidade no andamento das ações judiciais relacionadas ao caso e reivindicar a reparação dos prejuízos causados pela cheia do Rio de Contas. O ato está sendo organizado pelo Movimento dos Atingidos por Barragens - MAB e terá concentração às 8h30, na Praça da Bíblia, no bairro Jequiezinho, seguida de caminhada até o Fórum Bertino Passos.
Em entrevista ao programa Conexão 95, da Rádio 95 FM, a coordenadora estadual do MAB, Jeisiane Machado Brito, destacou que a mobilização busca chamar a atenção da Justiça para a situação de milhares de famílias que, segundo ela, ainda aguardam uma solução para os danos provocados pela enchente.
Jeisiane, que também foi atingida pelas águas, relembrou os impactos causados pelo episódio ocorrido no período natalino de 2022. Segundo ela, moradores de diversos bairros e conjuntos habitacionais perderam móveis, eletrodomésticos, mercadorias e outros bens materiais após a rápida elevação do nível do rio.
“O povo atingido não esqueceu. Ainda existem famílias vivendo as consequências daquele momento. Muitas pessoas continuam sem condições de recuperar totalmente suas casas e seguem aguardando uma reparação justa”, afirmou.
O Movimento dos Atingidos por Barragens chegou a Jequié em 2023, após a enchente, com o objetivo de organizar os moradores e acompanhar as reivindicações por indenizações e reconhecimento dos prejuízos. De acordo com a coordenadora, mais de 30 mil pessoas possuem processos individuais vinculados à ação coletiva acompanhada pela Defensoria Pública.
Durante a entrevista, Jeisiane também destacou os impactos emocionais deixados pelo episódio. Segundo relatos recolhidos pelo movimento em reuniões comunitárias, muitos moradores ainda enfrentam traumas psicológicos, crises de ansiedade, síndrome do pânico e medo em períodos de chuva.
A coordenadora afirmou ainda que as famílias atingidas não receberam reparação adequada pelos prejuízos sofridos. “Não tivemos nenhum tipo de reparação justa. As pessoas perderam muito mais do que bens materiais. Há histórias, memórias e esforços de uma vida inteira que foram levados pela água”, declarou.
O MAB defende que a enchente ocorreu sem aviso prévio suficiente à população e sustenta que houve falhas na condução da abertura das comportas da barragem administrada pela Companhia Hidro Elétrica do São Francisco - Chesf. O tema segue sendo discutido judicialmente na Vara da Fazenda Pública de Jequié.
A expectativa do movimento é que a nova mobilização contribua para acelerar a tramitação dos processos. Segundo Geisiane, manifestações anteriores já resultaram em avanços no diálogo com o Poder Judiciário.
“O objetivo é mostrar que as comunidades continuam mobilizadas e querem participar das decisões que envolvem a reparação dos danos. Não queremos que esse processo se arraste por muitos anos”, afirmou.
O ato é aberto à participação da população e deve reunir moradores de bairros, comunidades ribeirinhas e conjuntos habitacionais afetados pela enchente de dezembro de 2022. Segundo os organizadores, a manifestação será pacífica e pretende reforçar a cobrança por justiça, indenizações e medidas de reparação para os atingidos.
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