A polícia Civil do Rio Grande do Sul, cumpriu na última quinta-feira, 04/09, seis mandandos de busca e apreensão na cidade de Canoas, em desfavor de uma ex-servidora do município acusada de praticar abates irregulares de cães e maus tratos a gatos, na Secretaria de Bem Estar Animal do município.

De acordo com a polícia, as investigações começaram após denúncias e indicaram que o número de eutanásias realizadas pela secretaria, estava acima do esperado, foram cerca de 240 em apenas oito meses. A eutanásia é um procedimento usado quando animais doentes não têm chance de recuperação e teria sido aplicada de forma irregular pela servidora.

Entre os alvos da investigação está Paula Lopes, ex-secretária da pasta, nomeada em janeiro de 2025 e exonerada em 18 de agosto do mesmo ano. A polícia apura a denúncia de que a ex-secretária teria recolhido cães doentes, divulgado os animais em redes sociais para receber doações via PIX e, em seguida, eutanasiado os cães na estrutura da secretaria.

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“O que nós observamos e colhemos de indícios é de que ocorria ali uma matança desmedida de cães. O motivo? Ganho financeiro de uma das investigadas. Identificamos que ela, que tinha cargo de gestão, recolhia animais doentes na rua, postava em suas redes sociais para pedir depósitos via PIX a título de tratamento e, depois de um tempo, esses animais simplesmente sumiam”, afirmou a delegada Luciane Bertolletti, titular da 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, ao G1.

A investigação também abrange maus-tratos contra gatos, que segundo a Polícia Civil ficavam trancados em um contêiner de maneira irregular.

Nos mandados cumpridos, a polícia civil do Rio Grande do Sul buscou documentos e registros de entrada e saída de animais na sede da secretaria de bem estar animal, onde foram encontrados cães e gatos mortos em sacos plásticos dentro de um freezer. Outros alvos incluíram a residência de Paula Lopes em Porto Alegre, onde foram apreendidos R$ 100 mil em dinheiro, dois sítios ligados à suspeita e residências de pessoas envolvidas na secretaria, como uma médica veterinária e um homem suspeito de transportar restos mortais dos animais.

A apuração conta com o apoio da ONG Rede de Proteção Ambiental e Animal (Repraas). Segundo o presidente Vladimir da Silva, servidores da secretaria fizeram denúncias iniciais, relatando que corpos de cães eram retirados semanalmente sem documentação. Um funcionário chegou a montar um dossiê com fotos dos animais desaparecidos. A polícia agora busca registros de microchips e está catalogando todos os cães e gatos encontrados.

Em suas redes sociais, Paula Lopes afirmou que as denúncias têm motivação política e que seu objetivo sempre foi ajudar os animais: “O meu objetivo sempre vai ser ajudar os animais. Mas isso incomoda quem usa essa pauta. Quem me conhece (...) Eu aceitei esse desafio em janeiro deste ano e desde lá virou esse caos. Desde quando eu entrei. Os números estão aí e, assim que eu puder, eu vou divulgar para vocês as verdades”.

A Prefeitura de Canoas se manifestou, afirmando que “colabora com as investigações e abriu um expediente interno para apurar os fatos com todo o rigor”.

FONTE/CRÉDITOS: Redação