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A região de Jequié começa a ganhar protagonismo na disputa pelo Governo da Bahia em 2026, a partir de um cenário político que revela um dado importante: há, hoje, um descompasso entre o comportamento do eleitor nas urnas e o alinhamento dos prefeitos eleitos nos municípios.
Na eleição de 2022, o atual governador Jerônimo Rodrigues (PT) obteve uma vitória expressiva na região. Ao todo, foram 117.607 votos (57,73%), contra 86.087 votos (42,26%) de ACM Neto (União Brasil). O petista venceu em praticamente todos os municípios do território, incluindo cidades estratégicas como Jequié, Ipiaú, Jitaúna, Dário Meira e Manoel Vitorino.
Em Jequié, principal colégio eleitoral da região, Jerônimo teve 46.153 votos (51,41%), contra 43.614 (48,59%) de ACM Neto, uma diferença apertada que já indicava um ambiente mais competitivo. Em contrapartida, em municípios menores, a vantagem foi mais ampla, como em Manoel Vitorino, onde o governador alcançou 78,03% dos votos, e em Dário Meira, com 75,90%.
Apesar desse desempenho eleitoral consolidado, o cenário político atual aponta para um avanço significativo do grupo liderado pelo prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP). Após as eleições municipais e recentes declarações de alinhamento, cidades como Aiquara, Apuarema, Boa Nova, Barra do Rocha, Itagibá, Itamari e Manoel Vitorino passaram a integrar ou orbitar o campo político do gestor jequieense.
O dado que mais chama atenção é que, em muitos desses municípios, Jerônimo foi majoritário em 2022. Em Boa Nova, por exemplo, o governador obteve 74,15% dos votos; em Apuarema, 64,56%; e em Barra do Rocha, 65,36%. Ainda assim, esses territórios hoje estão politicamente mais próximos do grupo de oposição ao governo estadual.
Por outro lado, o governador mantém uma base consistente em municípios importantes do eixo Ipiaú e Médio Rio de Contas. Em Ipiaú, Jerônimo teve 57,55% dos votos; em Jitaúna, 72,15%; e em Ibirataia, 54,39%. Além disso, o município de Itagi, onde o petista obteve 52,79%, já declarou alinhamento com o governo, reforçando a presença institucional do grupo na região.
Com isso, o cenário atual indica uma divisão mais clara entre blocos políticos. De um lado, o grupo de Jerônimo Rodrigues mantém vantagem eleitoral comprovada nas urnas. Do outro, o grupo liderado por Zé Cocá amplia sua presença territorial por meio da articulação com prefeitos e lideranças locais.
A leitura é de que a eleição de 2026 na região de Jequié deverá ser marcada menos pela disputa difusa e mais por uma polarização organizada, com redução dos espaços neutros e maior definição de campos políticos.
O ponto central, a partir de agora, será a capacidade de conversão: se os prefeitos conseguirão transferir apoio político em votos ou se o eleitor manterá o padrão observado em 2022, votando de forma distinta nas esferas municipal e estadual.
A região de Jequié, que já teve papel relevante no último pleito, tende novamente a se consolidar como um dos principais termômetros da política baiana nos próximos anos.
Publicado por:
Rafael Gomes
Natural de Ipiaú e radicado em Jequié, onde reside desde 2012. Jornalista com registro n.º 0007012/BA, atua como redator e gerente de mídias da 95 Fm de Jequié. Escritor com dois livros de poesias publicado, atua com maior ênfase no editorial de...
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