A história de Caroll Souá, nome artístico de Maria Carolina, é daquelas que nascem no interior, ganham força na fé, atravessam desafios e começam a ecoar cada vez mais longe. Natural de Ipiaú, mas criada em Jitaúna no distrito de Vila Temão, a cantora carrega na voz e na trajetória as marcas de uma origem simples e profundamente conectada à música.

Foi ainda na infância que tudo começou. Aos seis anos de idade, dentro da igreja, Maria Carolina protagonizou o que seria o primeiro sinal do seu talento. Ao ouvir uma canção que conhecia, voltou, cantou espontaneamente e emocionou quem estava presente. O impacto foi imediato: o público retornou para dentro do templo apenas para abraçá-la e reconhecê-la. Ali nascia uma artista.

Foto: Acervo pessoal
Foto: Acervo pessoal

Pouco tempo depois, veio a primeira experiência em palco, também ainda criança, em um show de calouros em Jitaúna, onde conquistou o segundo lugar. A partir daí, a música deixou de ser apenas uma descoberta e passou a ser caminho. Inserida em um ambiente familiar musical, com referências dentro de casa, especialmente da avó, dona de uma voz marcante, Caroll foi moldando sua identidade artística dentro do ministério da igreja e, posteriormente, fora dele.

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A virada profissional começou em 2019, quando decidiu investir na internet como vitrine. Vídeos no YouTube e no Instagram abriram portas e chamaram a atenção de um empresário, que passou a apostar em seu trabalho. Hoje, após novos rumos na carreira, com novo empresário, fortalecendo sua trajetória com novas parcerias e mais maturidade artística.

No palco, Caroll Souá encontrou no arrocha o seu território, mas com um diferencial que chama atenção: a ousadia de misturar o gênero com clássicos internacionais e sucessos antigos. Influenciada por nomes como Celine Dion, Mariah Carey e também por referências nacionais como Raça Negra, ela transforma canções consagradas em versões românticas e dançantes, aproximando diferentes gerações.

Entre os destaques do repertório, músicas como “A Raposa e as Uvas” de Reginaldo Rossi e “Volte Amor”, de Tayrone, são presença obrigatória nos shows. Foi justamente com uma dessas interpretações que Caroll alcançou um marco importante: um audiovisual simples, gravado em bar local com celular, ultrapassou a marca de um milhão de visualizações, impulsionando seu crescimento nas redes sociais e consolidando seu nome na região.

Além das releituras, a artista também investe em músicas autorais. Canções como “Par de Chifre”, “Alcool e Gasolina” e o mais recente lançamento, “Fama de Louca”, mostram versatilidade e ampliam sua presença no cenário musical. Para ela, mais importante do que um único sucesso é construir um repertório sólido que sustente uma carreira duradoura.

A caminhada, no entanto, não foi fácil. Antes de viver exclusivamente da música — realidade que hoje já se concretiza, especialmente em Salvador — Caroll acumulou diversas atividades para garantir renda. De vender geladinho gourmet a trabalhar como trancista, confeiteira e até serviços gerais, cada etapa reforçou o espírito batalhador que hoje se reflete no palco.

Foto: Acervo pessoal
Foto: Acervo pessoal

Mesmo com o avanço da carreira, ela aponta um desafio persistente: o espaço para mulheres no arrocha. Segundo a cantora, ainda existe uma preferência do público masculino por artistas homens, o que torna o cenário mais competitivo para mulheres, mesmo com talentos em evidência como Simone Morena e Ana Catarina.

Apesar disso, Caroll Souá segue firme, com agenda em expansão e presença confirmada em eventos importantes, incluindo o período junino, quando pretende intensificar apresentações em bairros de Jequié e outras localidades.

Sem perder a essência, ela resume seu projeto de vida de forma direta: não busca apenas um hit, mas uma carreira consistente, construída com repertório, identidade e conexão verdadeira com o público. Um caminho que começou na simplicidade de Jitaúna e que, passo a passo, ganha novos palcos e novas vozes para cantar junto.

 

FONTE/CRÉDITOS: Rafael Gomes