Em uma entrevista marcada por declarações duras e posicionamentos claros, o prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), justificou sua adesão ao projeto político de ACM Neto (União Brasil) e fez críticas diretas à gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Cocá afirmou que decidiu seguir ACM Neto após constatar, segundo ele, a falta de entregas concretas do governo estadual, especialmente na região de Jequié.

Segundo o ex-gestor, visitas frequentes do governador não se traduziram em obras executadas. Ele citou promessas como o aeroporto regional, intervenções viárias e investimentos urbanos que, de acordo com sua avaliação, não saíram do papel. “Não adianta planejar e não executar. O governo veio, anunciou, mas nada aconteceu”, disparou.

Leia Também:

A crítica se amplia quando Cocá avalia o governo como um todo. Para ele, falta identidade e resultados mensuráveis. “Qual é a marca desse governo? Ninguém sabe dizer. É um governo que começou muito e entregou pouco”, afirmou, colocando a atual gestão “abaixo da média”.

Críticas à segurança e à gestão estadual

Um dos pontos mais contundentes da entrevista foi na área de segurança pública. Cocá descreveu o sistema prisional como fragilizado e sob influência do crime organizado. Ele citou episódios recentes e disse que o Estado perdeu o controle de unidades prisionais. “Como é que o Estado entrega os presídios para o tráfico? Imagine o resto”, questionou.

Além disso, criticou a escolha de secretários com perfil político em áreas técnicas. Para ele, a falta de qualificação compromete a eficiência da máquina pública. “Secretarias estratégicas não podem ser moeda política. Precisam de gente preparada”, defendeu.

Aposta em ACM Neto e plano de governo

Ao justificar sua escolha por ACM Neto, Cocá afirmou ter enxergado no ex-prefeito de Salvador um projeto mais estruturado e com foco em execução. Ele destacou a necessidade de um plano baseado em três eixos prioritários: segurança pública, regulação na saúde e educação básica.

“O governo precisa organizar a máquina e agir rápido. Segurança, saúde e educação são urgentes. Sem isso, o resto não anda”, disse.

Defesa pessoal e respostas a acusações

Durante a entrevista, Cocá também respondeu a questionamentos sobre investigações passadas, como a Operação Three Hills. Ele afirmou que a operação citada contra ele foi arquivada por falta de provas. “O processo foi extinto. Não houve nenhuma irregularidade comprovada”, garantiu.

Sobre o crescimento do patrimônio, argumentou que a evolução é compatível com o tempo e com rendimentos legais. “Está tudo declarado. É só conferir no imposto de renda”, afirmou.

Olho no futuro e discurso de mudança

Já projetando o cenário político, Cocá reforçou o discurso de ruptura após anos de governos do mesmo grupo político na Bahia. Ele defendeu uma mudança de rumo e disse acreditar em um novo ciclo administrativo.

“A Bahia pode mais. Precisa de um plano ousado, eficiente e rápido. O povo merece mais”, concluiu.

A entrevista coloca Zé Cocá no centro do debate político estadual e acirra o clima de disputa, antecipando o tom de uma eleição que promete ser marcada por confronto direto de narrativas e cobranças por resultados.

FONTE/CRÉDITOS: Rafael Gomes