As declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a Guerra do Paraguai provocaram uma forte reação política no país vizinho. O Congresso paraguaio divulgou uma nota de repúdio e pediu respeito à memória histórica nacional após Lula afirmar, na última sexta-feira (24), que o Paraguai "invadiu" o Brasil durante o conflito do século XIX.

A manifestação foi assinada por parlamentares paraguaios, que classificaram a fala como uma "distorção da história". Para eles, o tema vai além de uma divergência política e envolve um dos acontecimentos mais marcantes da identidade nacional do Paraguai.

Conhecida no Brasil como Guerra do Paraguai e, no país vizinho, como Guerra da Tríplice Aliança, a guerra ocorreu entre 1864 e 1870 e colocou o Paraguai contra a aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai. O conflito é considerado o maior da história da América do Sul e teve consequências devastadoras para a população paraguaia.

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O presidente da Câmara dos Deputados do Paraguai, Raúl Latorre, afirmou que Lula tratou com "demasiada leveza" o maior trauma da história do país. Já o deputado Rubén Rubín acusou o presidente brasileiro de tentar reescrever os acontecimentos históricos conforme interesses políticos. A senadora Esperanza Martínez também criticou a declaração e afirmou que ela ignora o sofrimento vivido pelos paraguaios durante o conflito.

A repercussão também chegou à imprensa paraguaia. O apresentador Germán Martínez Vierci leu, durante um programa de televisão, uma carta dirigida ao presidente brasileiro. No texto, o autor pede que Lula trate o episódio com mais sensibilidade, ressaltando que a guerra representa "a maior tragédia da história do Paraguai". A mensagem afirma que os paraguaios não nutrem ressentimento contra o Brasil, mas esperam respeito à memória das vítimas e ao impacto humano causado pelo conflito.

Até o momento, o governo brasileiro não havia se manifestado oficialmente sobre as reações do Congresso e de autoridades paraguaias. A polêmica ocorre em um momento de relações diplomáticas relevantes entre os dois países, que compartilham interesses estratégicos no Mercosul e na administração da Usina Hidrelétrica de Itaipu.

FONTE/CRÉDITOS: Redação