Os parlamentares com base eleitoral em Jequié seguiram caminhos distintos no uso das chamadas emendas Pix — modalidade de transferência especial criada em 2019 para agilizar o envio de recursos do Orçamento da União a estados e municípios, sem necessidade de convênios ou apresentação prévia de projetos detalhados.
De acordo com dados oficiais consolidados por plataformas de acompanhamento orçamentário, o deputado federal Leur Lomanto Jr., do União Brasil, destinou R$ 47.737.130,00 em emendas Pix entre os anos de 2023 e 2025. Já o deputado federal Antonio Brito (PSD), também representante de Jequié, não fez uso deste tipo de destinação no período.
A modalidade voltou ao centro do debate público em 2025 diante do volume recorde de recursos movimentados: R$ 8,2 bilhões, um aumento superior a 2.000% desde 2020. O Partido Liberal (PL) liderou os repasses, somando R$ 1,25 bilhão no ano.
O que são as emendas Pix e por que geram tanta controvérsia
As transferências especiais parlamentares permitem que deputados e senadores enviem recursos diretamente para prefeituras e governos estaduais. Depois de depositado, o dinheiro pode ser utilizado de forma ampla, sem exigência de plano detalhado ou fiscalização prévia — o que, segundo organizações de controle, abre margem para uso político e fragiliza a transparência.
Entidades como Transparência Brasil e Transparência Internacional classificam a modalidade como “eleitoral”, alertando para o potencial de clientelismo, favorecimento de aliados locais e estímulo a práticas que influenciam eleições municipais e estaduais. Levantamentos mostram que cidades que receberam mais emendas Pix tiveram até 90% de reeleição de seus prefeitos.
Nas redes sociais, o debate permanece acalorado. A opinião predominante entre usuários de X (antigo Twitter), jornalistas e ativistas é amplamente negativa, com críticas que apontam:
-
Falta de transparência — ausência de detalhamento em muitos repasses e dificuldade de rastrear a aplicação final.
-
Risco de corrupção — por permitir uso irrestrito dos recursos.
-
Moeda de troca eleitoral — utilizada para reforçar redes de apoio locais.
-
Hipocrisia parlamentar — críticas a deputados que atacam a corrupção, mas lideram o uso de Pix.
Alguns parlamentares, entretanto, defendem a ferramenta como mecanismo legítimo, impositivo e eficiente para obras rápidas — posição de figuras como Ricardo Barros (PP-PR). Ainda assim, vozes favoráveis são minoria no debate público.
Dados relativos a emendas Pix utilizadas
A plataforma De olho em você, criada por um advogado e um programador, compilam os dados públicos de quanto cada deputado utilizou em emendas parlamentares e emendas na modalidade Pix. Veja abaixo os dados dos anos de 2023 a 2025 compilados pela plataforma.
Leur Lomanto Jr. (União Brasil)
Antonio Brito (PSD)
O tema deve permanecer no centro da pauta política em 2026, ano eleitoral. A pressão por mecanismos mais robustos de controle aumentou após decisões recentes do Supremo Tribunal Federal, que limitaram o uso das transferências especiais, gerando reação no Congresso.
Enquanto isso, organizações da sociedade civil recomendam que os cidadãos acompanhem de perto o uso das emendas por meio de plataformas como Portal da Transparência, Siga Brasil e De Olho em Você — especialmente em municípios onde há histórico de repasses volumosos.
Comentários: