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A campanha eleitoral começa oficialmente apenas em agosto, mas o jogo político já está em pleno andamento. É nos bastidores que se constroem as alianças, se firmam compromissos e se definem estratégias capazes de dar força às candidaturas e coerência aos discursos. Nesse cenário, a definição de palanques nacionais costuma ser peça-chave — e é justamente aí que a oposição na Bahia ainda demonstra fragilidade.
Enquanto o grupo governista, liderado por Jerônimo Rodrigues (PT), já se posiciona de forma clara ao lado do presidente Lula (PT), a oposição ainda patina na escolha de um nome para disputar o Palácio do Planalto. A indefinição não é novidade. Em 2022, ACM Neto optou por não declarar apoio a nenhum presidenciável, decisão que foi amplamente criticada por aliados e posteriormente reconhecida pelo próprio como um erro estratégico.
Desta vez, o ex-prefeito de Salvador sinalizou que adotaria uma postura diferente. Em entrevista, afirmou que apoiaria um candidato a presidente e que essa definição ocorreria ainda no primeiro semestre. No entanto, o prazo avança e a posição segue indefinida, gerando incertezas dentro da própria base.
Antes mesmo de anunciar sua chapa majoritária, ACM Neto afirmou que sua linha política seria “anti-PT”, o que indicava uma possível aproximação com nomes da direita nacional. Ainda assim, o apoio nunca foi confirmado oficialmente. O problema é que sua base partidária é ampla e heterogênea, reunindo siglas como União Brasil, PP, Republicanos, PL, PSDB, Novo e Cidadania — cada uma com interesses e alinhamentos distintos no cenário nacional.
Essa falta de unidade já começa a aparecer publicamente. Lideranças importantes da própria chapa defendem caminhos diferentes. Há quem pressione pelo apoio a um nome ligado ao bolsonarismo, enquanto outros articulam aproximações com alternativas fora desse campo. Há ainda posições mais independentes, que revelam um cenário fragmentado e sem direção única.
O resultado dessa indefinição é previsível: ruídos internos e risco real de perda de apoios. Partidos estratégicos já demonstram desconforto, e há sinais claros de que a falta de um posicionamento pode custar caro à construção de uma candidatura competitiva. Em política, o tempo da decisão é tão importante quanto a decisão em si — e adiar escolhas pode significar perder espaço.
O cenário tende a se complicar ainda mais com a movimentação nacional das siglas que compõem a aliança. Disputas por vagas, especialmente na composição de chapas majoritárias, podem aprofundar divergências e enfraquecer o projeto político estadual.
No fim das contas, a lição que se desenha é clara: neutralidade em momentos decisivos não costuma ser interpretada como estratégia, mas como hesitação. E, em um ambiente político cada vez mais polarizado, a indefinição cobra seu preço — muitas vezes, alto demais.
Publicado por:
Rafael Gomes
Natural de Ipiaú e radicado em Jequié, onde reside desde 2012. Jornalista com registro n.º 0007012/BA, atua como redator e gerente de mídias da 95 Fm de Jequié. Escritor com dois livros de poesias publicado, atua com maior ênfase no editorial de...
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