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A política baiana vive novamente um momento de rearrumação silenciosa, daqueles que acontecem longe dos palanques, mas que costumam definir o rumo das eleições. No centro desse movimento está o MDB, partido que pode deixar de ocupar espaço na chapa majoritária do grupo governista liderado pelo PT e que, ao mesmo tempo, passa a ser cortejado pela oposição.
A sigla voltou oficialmente à base petista em março de 2022, quando indicou Geraldo Júnior para a vice-governadoria na chapa encabeçada por Jerônimo Rodrigues (PT). O acordo marcou a reaproximação após mais de uma década de distanciamento político e contou com forte articulação do ex-ministro Geddel Vieira Lima, figura histórica do MDB no estado.
A união tinha um simbolismo claro: reconstruir uma ponte que havia sido rompida em 2009, quando Geddel decidiu disputar o governo da Bahia contra a reeleição de Jaques Wagner (PT). A ruptura empurrou o MDB para o campo da oposição por mais de uma década, período em que o partido se aproximou do grupo político liderado por ACM Neto (União Brasil). O retorno à base governista em 2022 foi, portanto, mais do que um acordo eleitoral. Representou um reposicionamento estratégico dentro do tabuleiro político baiano, alinhado também ao cenário nacional que levou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) novamente ao Palácio do Planalto.
Agora, porém, o mesmo MDB que ajudou a compor a vitória de Jerônimo pode estar diante de uma encruzilhada. Nos bastidores, cresce a percepção de que o espaço do partido na chapa majoritária governista pode ser reduzido ou até mesmo suprimido na próxima eleição. Esse movimento abre caminho para uma reaproximação com a oposição.
É justamente aí que entra o cálculo político de ACM Neto. O ex-prefeito de Salvador sabe que ampliar alianças será fundamental para enfrentar a força da máquina estadual e federal. Nesse cenário, trazer o MDB novamente para o seu campo representaria não apenas reforço partidário, mas também tempo de televisão, estrutura política e capilaridade em diversas regiões da Bahia.
Para o governo, perder o MDB significaria mais do que a saída de um aliado. Seria um sinal de fissura dentro da base, especialmente em um momento em que a disputa eleitoral tende a ser novamente polarizada. Por enquanto, o governador Jerônimo Rodrigues afirma publicamente que pretende manter o MDB na base aliada. Mas, como ensina a própria história política baiana, alianças eleitorais raramente são definitivas.
No fim das contas, o MDB pode acabar sendo mais do que um aliado — pode se tornar o fiel da balança de uma eleição que promete ser uma das mais disputadas da política recente da Bahia.
Publicado por:
Rafael Gomes
Natural de Ipiaú e radicado em Jequié, onde reside desde 2012. Jornalista com registro n.º 0007012/BA, atua como redator e gerente de mídias da 95 Fm de Jequié. Escritor com dois livros de poesias publicado, atua com maior ênfase no editorial de...
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