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A história de Cacá no rádio não começou em estúdios climatizados nem em grandes emissoras. Começou na chamada “rádio pirata”, uma rádio católica FM 98,5, ligada à igreja, onde deu os primeiros passos na comunicação. Dali, seguiu para uma rádio comunitária e, depois, para a antiga Rádio Pop, que inicialmente operava na frequência 88 FM e mais tarde passou a ser a 105 FM.
Na Rádio Pop, Cacá conviveu com locutores renomados da cidade e permaneceu cerca de dois anos. Em seguida, viveu um período fora do rádio, trabalhando no comércio, até assumir o setor de comunicação dos Supermercados Cardoso, onde ficou por mais de quatro anos, fazendo locução interna, anúncios promocionais e comunicação direta com o público.
A experiência no varejo ampliou sua visão sobre comunicação popular e abriu portas para novos projetos, incluindo uma passagem por um projeto inicial da Jequié FM, que não avançou naquele momento. Depois disso, Cacá retornou ao comércio, passando pelas Lojas Americanas e logo em seguida a Le Biscuit, até que, em 2014, chegou à Rádio 95 FM — um marco definitivo em sua carreira.
Da técnica ao microfone
Ao contrário do que muitos imaginam, Cacá não começou no ar. Seu primeiro papel na 95 FM foi como operador de estúdio de gravação, responsável por vinhetas, comerciais e toda a produção sonora da emissora. Com o tempo, passou a apresentar o programa noturno Playlist, das 20h às 22h, conciliando a função com o trabalho técnico.
A trajetória seguiu em ascensão. Cacá assumiu horários importantes, passou pela programação da tarde, apresentou o Trilha do Sucesso — inicialmente sozinho e depois em dupla com Ivan Azevedo — e consolidou-se como um comunicador versátil, com forte presença em palco, eventos e ações externas.
A virada para o jornalismo
A transição do entretenimento para o jornalismo veio como um desafio. Conhecido pelo tom leve, descontraído e pela “zoeira” do rádio musical, Cacá precisou reconstruir sua identidade profissional. A oportunidade surgiu por decisão da direção da emissora, com apoio de Elton Bispo e João Leonardo (Joba), que apostaram em seu potencial para a reportagem de rua.
A estreia no jornalismo coincidiu com um dos momentos mais difíceis da cidade: as grandes enchentes. Foi em 2022, durante a cobertura da tragédia, que Cacá se lançou definitivamente à externa. O impacto foi profundo — profissional e pessoal.
Enquanto cobria uma reunião emergencial sobre a enchente, recebeu a notícia de que a água havia invadido sua própria casa, alcançando cerca de dois metros na garagem. Precisou interromper a reportagem para socorrer a família, vivendo simultaneamente o papel de repórter e vítima da tragédia.
“Foi o momento mais difícil da minha vida no jornalismo”, relembra.
O peso da notícia e o compromisso com a verdade
Desde então, Cacá passou a cobrir temas sensíveis, como violência urbana, desastres naturais e dramas humanos. Para ele, embora existam momentos felizes — como reencontros de famílias —, o jornalismo de rua é marcado, sobretudo, por situações de tensão.
Mesmo assim, afirma ter encontrado equilíbrio e maturidade na nova função. “Hoje eu posso dizer que consigo dominar a reportagem externa”, avalia.
Identidade, nome e pertencimento
Cacá nasceu Cássio Barbosa Santana, mas o nome artístico ficou para trás em 2014, por sugestão de Rildo Júnior, seu padrinho de microfone. Desde então, “Cacá” passou a representar não só o comunicador, mas a figura pública reconhecida nas ruas.
“Quando alguém me chama de Cássio, é estranho. Só minha mãe, meu pai e minha esposa — quando está brava”, brinca.
95 FM: 40 anos, uma extensão do povo
Há 11 anos na Rádio 95 FM — com apenas um breve intervalo de quatro a cinco meses —, Cacá acompanhou mudanças de direção, projetos e a evolução da emissora. Para ele, o maior mérito da rádio ao completar 40 anos é ter ampliado sua audiência sem perder o compromisso com a informação responsável.
“A 95 não é só um estúdio. É uma extensão do povo. É Jequié, é região, é voz aberta para quem precisa falar.”
Olhar para o futuro
Além de aperfeiçoar o trabalho como repórter, Cacá estuda para se tornar perito criminal, com a ambição de unir conhecimento técnico à experiência de rua no jornalismo.
Pai de dois filhos, Felipe (10) e Arthur (13), ele segue construindo uma carreira marcada pela vivência real, pelo compromisso com a verdade e pela conexão direta com as pessoas.
Publicado por:
Rafael Gomes
Natural de Ipiaú e radicado em Jequié, onde reside desde 2012. Jornalista com registro n.º 0007012/BA, atua como redator e gerente de mídias da 95 Fm de Jequié. Escritor com dois livros de poesias publicado, atua com maior ênfase no editorial de...
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