A condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão em regime fechado acendeu uma nova crise diplomática. O Supremo Tribunal Federal reagiu com indignação às ameaças de sanções feitas pelo governo dos Estados Unidos, que tenta se colocar como tutor do “Estado de Direito” no Brasil.

Entre ministros do STF, havia quem defendesse um tratamento menos rígido ao ex-presidente, considerando sua idade, problemas de saúde e a simbologia de já ter ocupado o Planalto. Mas o cenário mudou. As ameaças externas e a postura de Eduardo Bolsonaro — acusado de participar de uma chantagem contra o tribunal — praticamente enterraram qualquer chance de benevolência.

O efeito, segundo avaliação dentro da própria Corte, pode ser o contrário do desejado pelo presidente Donald Trump: acelerar a ida de Bolsonaro para o Complexo da Papuda, em Brasília. Um desfecho que, até agora, era considerado improvável.

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Esse é justamente o maior temor do ex-presidente, que receia tanto as condições da prisão quanto a falta de acesso a cuidados médicos adequados.

A tensão aumentou depois que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, classificou a decisão do STF como sinal de “deterioração do Estado de Direito” no Brasil. Em entrevista à Fox News, ele acusou a Corte de perseguição política e fez referência direta ao ministro Alexandre de Moraes, ainda que sem citá-lo pelo nome.

Rubio prometeu respostas concretas e anunciou que Washington deve adotar novas medidas contra o Brasil nos próximos dias. Para ministros do STF, a pressão americana apenas reforça a narrativa de que a Justiça brasileira não pode ceder a chantagens — nem internas, nem externas.

FONTE/CRÉDITOS: Rafael Gomes