O Banco Central divulgou, nesta quinta-feira (12), o Relatório de Estabilidade Financeira (REF) referente ao primeiro semestre de 2025, com uma avaliação equilibrada do sistema financeiro brasileiro. O documento indica que não há risco relevante à estabilidade financeira, e que o Sistema Financeiro Nacional (SFN) segue com liquidez e capitalização confortáveis, mantendo provisões adequadas para perdas.

Apesar da solidez, o relatório traz sinais claros de desaceleração no crédito e moderação no ritmo de crescimento da economia, reflexos diretos da política econômica adotada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Nos últimos dois anos, o governo federal tem buscado recompor o poder de compra das famílias e ampliar o investimento público, ao mesmo tempo em que enfrenta desafios fiscais e pressões por controle da inflação. O aumento de gastos e a lentidão na redução da taxa básica de juros (Selic), mantida em patamares elevados durante boa parte do período, contribuíram para condições financeiras mais restritivas. Esse cenário levou os bancos a reduzirem o apetite ao risco e a frearem a concessão de crédito, especialmente para pequenas empresas e famílias de menor renda.

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Por outro lado, o REF reconhece alguns efeitos positivos das medidas governamentais. O aumento real do salário mínimo e a ampliação de programas sociais, como o Novo Bolsa Família, ajudaram a sustentar o consumo das famílias e reduzir a inadimplência em determinados segmentos. O mercado de capitais, mesmo com menor ritmo, segue crescendo e se consolidando como fonte alternativa de financiamento às empresas.

Em termos de rentabilidade, o sistema bancário apresentou melhora, impulsionado por ganhos cambiais e ajustes de valor justo em instrumentos financeiros. Ainda assim, o Banco Central alerta que a alta dos custos financeiros e a atividade econômica mais lenta podem limitar o desempenho nos próximos períodos.

Comparativo com 2020

Em relação a cinco anos atrás, o cenário é consideravelmente mais estável. Em 2020, o Brasil enfrentava o auge da crise provocada pela pandemia de Covid-19, com forte retração da atividade econômica e aumento do endividamento das famílias. Hoje, o nível de inadimplência está controlado, e o sistema financeiro mostra resiliência diante de choques externos e internos.

Contudo, o país ainda enfrenta desafios estruturais: crescimento econômico modesto, baixa produtividade e dependência do crédito público e de programas de incentivo fiscal. O próprio BC destaca, no relatório, que o crédito pessoal sem garantia continua crescendo acima da média, o que exige atenção quanto à sustentabilidade do endividamento das famílias.

O relatório também aborda temas emergentes, como o uso de inteligência artificial no sistema financeiro, riscos cibernéticos, impactos do fenômeno El Niño e regras prudenciais individuais para conglomerados financeiros, sinalizando que a estabilidade do setor passa não apenas por solidez financeira, mas também por capacidade de adaptação a novas tecnologias e riscos climáticos.

No balanço geral, o Banco Central transmite uma mensagem de confiança na robustez do sistema, mas alerta que a política econômica precisa manter equilíbrio entre estímulo ao crescimento e responsabilidade fiscal, para que o país preserve a estabilidade conquistada nos últimos anos.

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REF 1º semestre de 2025.

FONTE/CRÉDITOS: Redação