A revelação de que o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da gestora Reag Investimentos, conforme relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), abre um novo capítulo no cenário político baiano e tende a repercutir diretamente no tabuleiro eleitoral de 2026.

Segundo informações divulgadas pelo O Globo, os valores teriam sido pagos por serviços de consultoria prestados pela empresa A&M Consultoria, criada por ACM Neto logo após as eleições de 2022, quando ele disputou o governo da Bahia. O próprio ex-prefeito afirma que todos os serviços foram realizados de forma legal e que os contratos seguem a legislação.

Ainda assim, o episódio ganha peso político por envolver o Banco Master, instituição que está sob investigação por suspeitas de fraude financeira. Em situações como essa, mesmo que não haja acusação formal contra o beneficiário dos pagamentos, a repercussão pública costuma extrapolar o campo jurídico e migrar para o terreno político.

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Para o grupo governista na Bahia, liderado pelo governador Jerônimo Rodrigues e pelo ministro da Casa Civil Rui Costa, o caso pode se tornar um instrumento de desgaste contra o principal nome da oposição no estado. Nos bastidores, é comum que episódios envolvendo relatórios do Coaf sejam explorados no debate público para levantar questionamentos sobre relações financeiras e transparência.

Por outro lado, aliados de ACM Neto tendem a sustentar a narrativa de que se trata apenas de atividade profissional privada, algo comum entre ex-gestores públicos após deixarem cargos eletivos. O argumento central deve ser o de que consultorias são práticas legítimas no mercado e que não há qualquer irregularidade comprovada.

Politicamente, o impacto do caso dependerá de dois fatores centrais: se surgirão novos desdobramentos nas investigações envolvendo o Banco Master e como a oposição e o governo irão explorar o tema na disputa narrativa. Em um ambiente pré-eleitoral, fatos dessa natureza raramente ficam restritos ao campo técnico — eles rapidamente se transformam em munição política.

No xadrez da Bahia, onde a disputa entre governistas e oposicionistas já se desenha para 2026, qualquer episódio capaz de gerar questionamentos públicos tende a ganhar dimensão estratégica. E, nesse contexto, o episódio envolvendo ACM Neto pode se tornar mais um elemento da intensa batalha política que já começa a se formar no estado.

FONTE/CRÉDITOS: Redação