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Trinta e quatro anos de profissão não cabem em uma contagem simples de datas. No caso de Gerffson Lima, a história do rádio se mistura à própria vida — e começa muito antes de ele pisar em um estúdio. Começa na infância, ainda dentro da barriga da mãe, como ele costuma brincar. Em uma casa movida a música e a rádio, o jovem Gerffson cresceu embalado pelas ondas da Rádio Globo, Nacional de Brasília, Tupi, Manchete e, principalmente, a lendária Rádio Mundial, que nos anos 80 fazia o país inteiro perder o sono.
Foi ouvindo, gravando e imitando seus ídolos que surgiu o sonho de ser radialista. E o sonho virou realidade em 1991, quando ele entrou para a 93 FM como operador de estúdio com apenas 17 anos. Aos 20 anos, tímido e determinado, aceitou o primeiro grande desafio: assumir a madrugada, das 0h às 4h. Foram seis meses intensos, de aprendizado, cansaço e paixão pela profissão.
Da madrugada, vieram novos horários, novos desafios e, principalmente, novos rumos. A vontade de “ganhar o mundo” levou Gerffson para a Ipirá FM, na Chapada Diamantina — cidade que viraria sua segunda casa, graças ao casamento com uma ipiraense. Entre idas e vindas, ele dividiu a vida profissional por décadas entre Jequié e Ipirá, sempre movido pela inquietação e pelo desejo de crescer.
Em 2008, chegou à 95 FM, onde viveu algumas das fases mais marcantes da carreira. Seja no “Momentos de Amor”, no fim de tarde romântico ou nos quadros que aproximavam ouvintes e criavam casais, Gerffson virou referência no rádio afetivo. Há quem o reconheça até hoje como “a voz das histórias de amor”. Não é exagero: recebeu às dezenas de cartas escritas à mão por dia — e guarda muitas delas como troféus.
Mas o romantismo não foi seu único palco. Na 93, brilhou também no “Em Nome do Amor”. Nos domingos da 93, comandou o animado “Show dos Bares” ao lado de Antônio Carlos e o saudoso Leon Leal. E nos bastidores, tornou-se cada vez mais técnico, estudioso e envolvido com programação, produção e os novos rumos do rádio na era da inteligência artificial.
Um traço acompanha toda a trajetória: a memória afetiva. Saudosista declarado, Gerffson guarda registros raros do rádio jequieense, incluindo o áudio de caráter experimental da 95 FM — uma preciosidade que ele mesmo define como “arquivos do futuro”.
Ao longo de mais de três décadas, trabalhou com nomes que marcaram gerações: Tony Silva, que lhe deu a primeira oportunidade no ar; Antônio Carlos; Wilson Novaes; Ari Moura; Márcio Lima; Ribeiro Júnior; e tantos outros que formaram a escola viva do rádio em Jequié. Também viu talentos locais despontarem para emissoras da capital, como Cida Novaes, Abraão Brito e Tony Silva, hoje na Rádio Sociedade.
Para Gerffson, o rádio ensina algo maior que técnica: ensina humildade. Ensina a ouvir o ouvinte — e a suportar desde a crítica construtiva até a mais dura, que muitas vezes é a que mais faz crescer. Ensina que tocar música é fácil; difícil é tocar o coração de quem está do outro lado. E foi isso que ele fez durante toda a carreira.
Agora, aos 51 anos, ele fecha mais um ciclo em Jequié para aceitar um novo desafio na Chapada Diamantina. Difícil? Sim. Doloroso? Também. Mas o espírito inquieto, o desejo de aprender e a paixão pelo rádio continuam os mesmos daquele garoto que esperava, ansioso, às 18h, a entrada da Rádio Mundial no dial baiano.
Antes de partir, deixa uma mensagem que resume sua filosofia de vida:
“Seja feliz. Nunca desista. Sempre há uma nova oportunidade, um novo lugar e uma nova história esperando por você. Eu estou indo ali… mas posso voltar.”
Nas redes sociais, Gerffson segue presente — discreto, mas sempre apaixonado pelo que faz. Porque quem nasceu para o rádio nunca sai de cena. Apenas muda de frequência.
Publicado por:
Rafael Gomes
Natural de Ipiaú e radicado em Jequié, onde reside desde 2012. Jornalista com registro n.º 0007012/BA, atua como redator e gerente de mídias da 95 Fm de Jequié. Escritor com dois livros de poesias publicado, atua com maior ênfase no editorial de...
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