O termo Bancada do Hospício foi utilizada por Ulysses Guimarães para se referir a um grupo de deputados constituintes que, em sua visão, apresentavam comportamento inadequado e desordeiro, beirando o irracional, durante as discussões na Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988. Essa expressão, embora informal, ganhou notoriedade e é utilizada para criticar atitudes desrespeitosas e radicais no ambiente político. 

Nesta semana o Brasil presenciou a ocupação das mesas diretoras da câmara dos deputados e do senado federal, por uma claque de parlamentares, com o único objetivo de pautar o perdão a um político que está sendo julgado por tentativa de golpe de estado e abolição violenta do estado democrático de direito. Crimes estes previstos na constituição federal que foi sugerida, apreciada e votada por deputados constituintes logo após o período da ditadura militar, quando o Brasil foi refém dos militares e milhares de pessoas foram torturadas e mortas sob o julgo de um governo corrupto e que visava apenas o melhor para eles. Foram os anos de chumbo no país.

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Não é papel de um parlamentar, defender os interesses de poucos em detrimento de muitos. Não é usual e nem correto, termos deputados que se esquecem que foram eleitos para trabalhar pelo povo do Brasil, para legislar, para fiscalizar, para defender o que diz a carta magna de nossa nação.

Já falei algumas vezes e repito, o congresso nacional, em nada se parece com o que deveria ser, um local de debate de ideias, fundamentado nos princípios éticos e morais de nossa nação. Ao invés disso, temos um congresso que prefere fazer cortes para viralizar nas redes sociais e legislar para poucos. Um congresso que fica com medo quando são implementadas ações de fiscalização do destino dos recursos públicos, inclusive atrasando a votação do orçamento da união, pois querem ter o direito de mandar o dinheiro do POVO, para onde quiser sem ser fiscalizado.

Pior de tudo, foi assistir a forma covarde com que o presidente da câmara dos deputados agiu. Hugo Motta não tem o controle de seu cargo, o cargo que ocupa é apenas um título que não lhe confere o respeito de seus pares. Basta ver que foi preciso o ex-presidente da câmara, Arthur Lira, entrar em cena para que os deputados da bancada do hospício, desocupassem a mesa diretora. Um presidente ridículo de uma câmara dos deputados repleta de deputados vazios, ridículos. Usar peruca para atacar mulheres transgêneros? Atacar uma mulher, insinuando promiscuidade? Usar um bebê de quatro meses como escudo? Isso é tudo coisa dos deputados da bancada do hospício.

Tem um ditado que diz o seguinte: Não chame um gay de histérico, até ver um hétero defendendo um político e é uma verdade inexorável.

A política de nosso país se tornou um hospício, uma coisa abjeta e que faria Ulysses Guimarães se arrepender de ver o que o congresso brasileiro se tornou.

Isso tudo sem falar na atuação do supremo tribunal federal, que atua como que um carcereiro, um agente penal. Não é admissível que apenas um juíz determine a prisão de uma pessoa, ainda mais quando se trata de um ex-presidente da república e pré candidato a presidência. Foi imoral quando um juíz de primeira instância fez isso e continua sendo imoral.

Alexandre de Moraes não está acima da lei, ele não é a lei. Ele foi escolhido por um presidente eleito democraticamente, sabatinado por senadores eleitos democraticamente e alçado ao posto de juíz da suprema corte brasileira, para fazer cumprir a nossa constituição.

Não sei qual será o destino de uma nação que deixa os interesses de poucos se sobrepor aos direitos de muitos, mas de uma coisa tenho plena certeza: Nosso país faz jus a bancada do hospício.

FONTE/CRÉDITOS: Rafael Gomes