A Câmara dos Deputados, que deveria ser um espaço de debate firme e respeitoso, transformou-se em cenário de tumultos que envergonham o Parlamento. E no comando desse barco desgovernado está Hugo Motta, um presidente que ocupa a cadeira, mas parece não se dar conta do peso que ela carrega.

O episódio em que deputados ocuparam a mesa diretora escancarou essa fragilidade. A cena foi digna de um reality show: parlamentares transformando o espaço em palanque e o presidente da Casa assistindo, imóvel, como quem olha um incêndio pela janela e decide não chamar os bombeiros. Faltou voz, faltou atitude, faltou autoridade.

E aqui é impossível não fazer comparações. Eduardo Cunha, com todos os seus pecados, jamais deixaria que a desordem se instalasse dessa forma — era duro, até autoritário, mas impunha respeito. Rodrigo Maia, mesmo mais conciliador, sabia o momento de bater na mesa e mostrar que havia comando. Arthur Lira, com sua mão pesada e articulação afiada, não permitia que a Casa virasse terra de ninguém. Já Hugo Motta se contenta em ser figurante da própria presidência.

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Não se cobra de um presidente da Câmara que seja um tirano. Mas se espera, no mínimo, que compreenda o papel institucional de guardião da ordem. E quando esse papel não é cumprido, o plenário vira um ringue, e o povo brasileiro assiste, estarrecido, à infantilização da política.

Hugo Motta demonstra que ainda não entendeu que o respeito à Casa não se conquista com discursos mornos, mas com firmeza de atitude. A Câmara dos Deputados não pode ser refém de vaidades e arroubos pessoais, mas é exatamente isso que acontece quando o comandante não assume o leme.

E a verdade, nua e crua, é que a cadeira de presidente da Câmara já foi ocupada por líderes de pulso. Hoje, está entregue a quem confunde neutralidade com omissão.

 

FONTE/CRÉDITOS: Rafael Gomes