Foram dias de incerteza por parte de empresários e produtores que têm no mercado dos Estados Unidos um de seus principais compradores de seus produtos e insumos. Setores do agro entraram em rota de colisão com os políticos alinhados ao bolsonarismo, já que partiu do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, a iniciativa de ir até os Estados Unidos, pedir que o presidente daquele país impusesse medidas econômicas contra o Brasil.

A medida tinha como objetivo fazer com que se instalasse no país um clima de medo e que o judiciário, mais especificamente o Supremo Tribunal Federal - STF, recuasse nos processos que investigam o ex-presidente e mais 36 pessoas ligadas a ele, por crimes contra o estado democrático de direito, após ele sair derrotado nas urnas nas eleições de 2022.

O que aconteceu foi justamente o contrário, o governo brasileiro passou a defender a soberania nacional, os empresários viram que o mais prejudicado nesse processo seriam eles e os negócios, o agro passou a rejeitar o bolsonarismo e abriu diálogo com o governo do presidente Lula. Além de ver o Supremo Tribunal Federal referendar a medida solicitada pela Procuradoria Geral da República - PGR, para impor medidas cautelares contra Jair Bolsonaro, para evitar uma fuga dele para outro país.

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Além disso, o Brasil passou a ser referência para outras nações que foram alvo das tarifas impostas por Donald Trump. Jornais de todo o mundo passaram a elogiar a postura do presidente Lula e empresários dos EUA partiram para a disputa nos tribunais contra as medidas. O resultado?

Na tarde de quarta-feira, 30/07, Donald Trump assinou o decreto que impõe tarifas de 40% às exportações brasileiras, somando aos 10% que já estavam em vigor, mas deixou de fora da lista mais de 700 itens considerados importantes para o consumidor interno dos Estados Unidos. A medida não impacta tanto a economia como era esperado e representa uma vitória da estratégia do governo brasileiro.

Ao contrário do que a claque bolsonarista espalha, o governo brasileiro tentou dialogar com a Casa Branca para discutir opções para evitar penalizar os empresários brasileiros, mas todas as medidas foram sabotadas pelo deputado Eduardo Bolsonaro e pelo neto do ditador Figueiredo, o influencer Paulo Figueiredo. Uma comitiva de senadores do Brasil foi até os Estados Unidos e precisou esconder a agenda de visitas, para não serem sabotados pelos bolsonaristas.

A frase dita pelo senador bolsonarista e lavajatista Sérgio Moro, de que A montanha pariu um rato, se aplica nesse caso. O resultado que Eduardo e Paulo Figueiredo queriam era o recuo do STF no caso de Jair Bolsonaro, mas nada aconteceu.

Eles podem argumentar que a aplicação de sanções ao ministro Alexandre de Moraes poderia ser considerada uma vitória, mas na realidade não tem efeitos práticos. Moraes não tem investimentos nos Estados Unidos, o visto dele para os Estados Unidos está vencido há dois anos, muito antes da possibilidade de aplicação das sanções e antes mesmo de Donald Trump ser eleito presidente. O Supremo irá retornar do recesso e os magistrados já preparam uma manifestação de apoio ao ministro, e o legislativo tem trabalhado ao lado do governo brasileiro e do Supremo contra o que chamam de “Ataque à Soberania”.

Se o objetivo da família Bolsonaro era transformar o país em um pária internacional e dividir ainda mais a nação, o tiro saiu pela culatra, ou melhor, a montanha pariu um rato.

FONTE/CRÉDITOS: Rafael Gomes