Jequié tem, sim, um futuro promissor à sua frente, mas isso depende de uma pergunta crucial: estamos preparados para transformar potencial em realidade? A cidade carrega uma posição estratégica invejável, com ligação direta entre o sudoeste baiano e o litoral, além de ser um polo natural para distribuição e logística. Isso, por si só, já seria motivo suficiente para atrair grandes investimentos. Mas não podemos parar aí.
Nosso solo é fértil para a agricultura irrigada e para a fruticultura, atividades que podem gerar emprego e renda, se acompanhadas de tecnologia e qualificação. O setor de energia solar também desponta como uma oportunidade gigante – Jequié é uma das cidades mais ensolaradas do estado, mas ainda engatinha quando se fala em projetos de grande porte nessa área. Estamos deixando escapar chances de liderar uma matriz energética limpa e sustentável.
A indústria, por sua vez, pede espaço. A criação de um segundo distrito industrial não é um capricho: é uma necessidade para que empresas encontrem aqui condições de se instalar, produzindo e empregando. Sem isso, continuaremos vendo jovens deixarem a cidade em busca de oportunidades que poderiam estar dentro do nosso próprio território.
O turismo, muitas vezes esquecido, também é um diamante bruto. Temos história, cultura, gastronomia e uma localização privilegiada para roteiros regionais. Mas precisamos de infraestrutura, capacitação e, principalmente, divulgação.
Investir nessas áreas não é apenas uma ação econômica: é social. Cada indústria que se instala, cada hectare que se transforma em produção, cada megawatt gerado de forma sustentável significa comida na mesa, dignidade e esperança para milhares de famílias jequieenses.
O poder público precisa ser protagonista – criando incentivos, desburocratizando processos, abrindo diálogo com o setor privado. Não é utopia, é planejamento. Porque Jequié pode, sim, sair da condição de potencial e se consolidar como um polo de desenvolvimento regional. Mas isso exige coragem para fazer agora o que garantirá o futuro que a população merece.
Nosso município não está apenas na expectativa do que pode vir a ser. Já apresenta, em 2023, sinais palpáveis de crescimento e resiliência econômica. E se isso não é motivo para otimismo, merecerá, sim, nossa atenção estrategista.
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